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Sax: conheça uma das únicas mulheres a tocar o instrumento em Florianópolis

Silvia Beraldo começou a aprender os instrumentos de sopro ainda na infância, com a flauda doce e a transversal

Karin Barros
Florianópolis
16/06/2017 às 16H24

 Silvia Beraldo, 63, nasceu no mesmo ano em que morreu seu ídolo, o saxofonista americano Charlie Parker, mais conhecido como Bird. Dele também vem a inspiração para tocar saxofone desde jovem. Silvia, que é paulista, morou em Belo Horizonte e há 32 anos escolheu Florianópolis como casa – e é uma das raras saxofonistas na ativa na Capital do Estado. Ela mesma assume que seus grandes ídolos sempre foram homens, como John Coltrane e Victor Assis Brasil, pois as mulheres dificilmente conseguiam atingir êxito na profissão. “Na história do sax tem poucas mulheres, mesmo nos EUA. O espaço para nós é menor na música”, acredita.

Silvia sente falta de lugares para ouvir jazz em Florianópolis - Flávio Tin/ND
Silvia sente falta de lugares para ouvir jazz em Florianópolis - Flávio Tin/ND



A relação com os objetos de sopro começou ainda quando criança, com a flauta doce e a transversal na música clássica e erudita. Com o pai cientista, mas parte da família envolvida com música, foi na escola que teve o interesse pelos instrumentos musicais. “Eu tinha uma professora muito interessante, que me mostrava outro mundo na música, e era aquele mundo que eu queria”, conta.

Desde a adolescência inclusive ela dava aulas de música na capital mineira. Já adulta, Silvia teve uma vida profissional na música popular na cidade de São Paulo, com, por exemplo, o Clube da Esquina – movimento da década de 1960. Foi lá também que iniciou o contato com os músicos de jazz e instrumental, e se aproximou do sax. “Um amigo me ofereceu para tocar pela primeira vez, e, nossa, eu achei isso muito legal”, lembra Silvia. O primeiro sax ela comprou usado, do colega e músico Cacá Malaquias, que dava aulas na mesma escola que ela em São Paulo.

O saxofone havia virado sua nova paixão nos instrumentos de sopro. Para aprender, Silvia criou uma ponte entre Minas e São Paulo, onde fazia as aulas. Por dois anos, na década de 1980, ela também estudou sax em uma escola de jazz na França, e mais tarde cursou o mesmo instrumento nos EUA. “Esse último foi em 1992, quando meu marido foi fazer pós-doutorado. Fiz um curso de cinco anos em dois, e com duas crianças pequenas. Eu quase não dormia. Não queriam nem me deixar formar pelo tempo da graduação, mas analisando o currículo, os arranjos, aceitaram”, recorda.

 

A falta dos redutos de jazz

 Silvia Beraldo lembra que na época em que aprendeu a tocar não existiam escolas de música popular no país – e mesmo agora ainda são poucas –, e ela precisava ir atrás de pessoas que tocavam o estilo para ter referências. A saxofonista afirma que cada instrumento tem uma espécie de repertório específico, e que para a música brasileira prefere o uso da flauta, e com o sax, indiscutivelmente, o jazz e a improvisação.

Em Florianópolis, Silvia relata a falta de locais para ouvir jazz, para amantes da música exercitarem seu ofício, como havia na década de 1980. A mineira lembra de um bar chamado Lugar Comum, no Centro, que era uma espécie de reduto do jazz na cidade e atraia dezenas de músicos.

Para ela, o sax significa um meio de expressão. “Tive um professor na França que falava que o tempo em que você está com um instrumento é o tempo em que você está consigo. Você sai do mundo naquele momento. E eu sinto falta, parece que vejo uma espécie de abstinência quando estou sem meu instrumento”, brinca Silvia.

 

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