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Pescadores fazem últimos preparativos para abertura da pesca da tainha em Florianópolis

Safra da pesca artesanal começa no dia 1º de maio, com missa no rancho do Getúlio, no Campeche; em 2017, os pescadores de Santa Catarina capturaram 1.780 toneladas do pescado

Michael Gonçalves
Florianópolis
15/04/2018 às 21H00
Ivanir Aroldo Faustino (esquerda) assumiu função de patrão após a morte do pescador Getúlio Manoel Inácio - Daniel Queiroz/ND
Ivanir Aroldo Faustino (esquerda) assumiu função de patrão após a morte do pescador Getúlio Manoel Inácio - Daniel Queiroz/ND


Com a morte do pescador Getúlio Manoel Inácio, em janeiro de 2018, o legado da pesca da tainha continua com o genro Ivanir Aroldo Faustino, 45, que assumiu a função de patrão de um dos ranchos de pesca mais tradicionais da Ilha de Santa Catarina, no bairro Campeche, em Florianópolis. Conforme a portaria do Ministério da Pesca e Aquicultura e do Ministério do Meio Ambiente, a safra da tainha é aberta no dia 1º de maio, mesma data da realização da missa que marca a abertura da temporada. A embarcação Glória e as redes deixadas por Getúlio voltarão para o mar pelas mãos de seus colegas de pesca artesanal.

Há 50 dias, os pescadores estão diariamente no rancho do Getúlio preparando os últimos detalhes. A novidade neste ano é a rede de pesca que estava sendo confeccionada pelo pescador que faleceu no início do ano. “Estamos colocando os chumbos e as cortiças na rede, mas também estamos arrumando as embarcações, os remos e os coletes salva-vidas. Precisamos deixar tudo pronto em duas semanas, porque a partir de maio gastamos as energias somente com a pescaria”, comentou Ivanir.

O rancho de pesca do Getúlio reúne cerca de 80 homens. Além do patrão, os pescadores são divididos em ajudante, cozinheiro, vigia, remeiro e chumbeireiro. Normalmente, cada embarcação é composta por seis homens. São quatro remeiros, divididos em ré, contra ré, contra proa e proa, além de um chumbeireiro e do patrão.

Para o remeiro Liberato Jorge Braz, 62, quando estão no mar, a responsabilidade é igual para todos os pescadores. “O patrão comanda o leme, o chumbeireiro tem a missão de colocar a rede no mar e amarrá-la quando necessário. Mas quem faz força de verdade são os remeiros, que precisam receber a informação correta do vigia”, afirmou.

A missa de abertura da pesca da tainha acontece no dia 1º de maio, às 8h, na praia do Campeche.

Para o remeiro Liberato Jorge Braz, quando estão no mar, a responsabilidade é igual para todos os pescadores - Daniel Queiroz/ND
Para o remeiro Liberato Jorge Braz, quando estão no mar, a responsabilidade é igual para todos os pescadores - Daniel Queiroz/ND


Vento sul forte no fim da quaresma foi um bom sinal

Em 2017, segundo o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), Ivo da Silva, foram capturadas 1.780 toneladas de tainha pela pesca artesanal no Estado. A pesca envolve mais de 20 mil pessoas no litoral catarinense. Para o pescador Anilto Bardança, 62, a expectativa é de uma boa safra neste ano.

“Com o vento sul forte que tivemos mais cedo neste ano, durante a quaresma, as tainhas já começaram a migração. Para uma boa safra, precisamos de vento sul forte nas próximas semanas para o peixe começar a subir o litoral em busca de águas mais quentes. O vento precisa soprar forte agora e parar nas primeiras semanas de maio, para que a tainha permaneça no nossa região”, afirmou.

Somente no rancho do Getúlio, os pescadores capturaram 4 mil tainhas.

As funções na pesca da tainha

Patrão – distribui as funções no rancho de pesca, escolhe a tripulação e comanda o leme da embarcação;

Chumbeireiro – responsável por jogar a rede ao mar da maneira correta para a captura do pescado;

Remeiro – são os remadores da embarcação, que são divididos em ré, contra ré, contra proa e proa;

Vigia – tem a função de observar a chegada do cardume e avisar os pescadores para colocar a embarcação no mar;

Cozinheiro – são os responsáveis pela alimentação dos pescadores, desde o café da manhã até o almoço;

Ajudante – são as pessoas que auxiliam a retirada da rede do mar.

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