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Comerciantes pedem ações na área conhecida como cracolândia entre Florianópolis e São José

Promotor de Justiça Daniel Paladino informou que ações estruturais serão tomadas até julho e ações de gestão estão em andamento. Cadastro do município tem quase 600 pessoas em situação de rua

Michael Gonçalves
Florianópolis
15/05/2018 às 09H28

Quatro dias após a última ação da força tarefa liderada pelo MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) sob o viaduto da BR-282 (Via Expressa) na Rua Josué Di Bernardi, que divide os municípios de Florianópolis e São José, as pessoas em situação de rua continuam perambulando e acumulando lixo na região conhecida como cracolândia. O movimento é intenso para todos os lados. Enquanto quatro homens se reúnem em um canto para consumir drogas, outras pessoas transportavam materiais reciclados e produtos de origem duvidosa. Essa foi a segunda ação da força tarefa em três semanas, que reúne 17 entidades, mas que parece não surtir um resultado imediato. O promotor de Justiça Daniel Paladino, titular da 30ª Promotoria de Justiça da Capital, informou que ações estruturais serão tomadas até julho e ações de gestão estão em andamento.

Lixo e sujeira na divisa dos municípios são problemas recorrentes em Campinas - Daniel Queiroz/ND
Lixo e sujeira na divisa dos municípios são problemas recorrentes em Campinas - Daniel Queiroz/ND


A impressão de quem convive na divisa entre os bairros Capoeiras, Monte Cristo e Campinas é de que os poderes constituídos enxugam gelo. Vizinho a este mundo paralelo, o gerente de uma revenda de veículos, Antonio Nascimento, 63, acredita que o problema persiste pela falta de interesse do município. “O sentimento é de que a Prefeitura de Florianópolis não quer se incomodar, porque não faz nada para resolver o problema. Já perceberam que no lado de São José não tem sujeira? Essas pessoas não oferecem perigo, mas incomodam muito. Sem falar na sujeira, que entope os bueiros em dias de chuva mais forte”, reclamou o gerente.

Nas ações da força tarefa comandada pelo MPSC, a delegacia de Desaparecidos da Polícia Civil faz a identificação pela impressão digital das pessoas em situação de rua. Os órgãos de saúde também realizam os testes rápidos para a Aids e a sífilis, além do encaminhamento para o tratamento de feridas e de até internações para tratamento de dependentes químicos.

Um comerciante, que vende peças para automóveis há sete anos e prefere não ser identificado, adotou uma situação extrema para evitar os pequenos furtos. “Sou obrigado a pagar R$ 50 para um deles, assim ele evita que os outros roubem aqui. Já tive época de ter a loja invadida seis vezes na semana. Já chegaram a levar o relógio da energia elétrica, mas depois dessa atitude melhorou muito”, lamentou o comerciante.

A estimativa do MPSC é de que quase 600 pessoas estejam em situação de rua na capital catarinense.

Promotor destaca as ações práticas adotadas nos próximos meses

Para o promotor de Justiça Daniel Paladino, o objetivo da ação é identificar e orientar as pessoas para que procurem atendimento especializado. Ele afirmou que vai intensificar as ações nesta localidade do Continente, com operações a cada duas semanas. O promotor destacou as ações entre a Secretaria de Assistência Social e do Igeof (Instituto de Geração e Oportunidades de Florianópolis) para conseguir oportunidades profissionais para as pessoas em situação de rua.

Pessoas em situação de rua aproveitam viadutos para improvisar abrigos - Daniel Queiroz/ND
Pessoas em situação de rua aproveitam viadutos para improvisar abrigos - Daniel Queiroz/ND


“Em uma ação cadastramos 35 pessoas e apenas duas aceitaram a assistência. Os resultados práticos estão aparecendo com o compromisso do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes) em fechar a galeria de esgoto até julho e as obras de melhorias da Secretaria do Continente. Acredito que não exista a necessidade de internação compulsória, mas estamos trabalhando na gestão de oportunidades para essas pessoas”, afirmou.

O secretário do Continente, Edson Lemos, o Edinho, explicou que a prefeitura vai deixar o terreno inclinado, a exemplo do lado josefense do viaduto. “Estamos esperando a finalização do contrato do concreto usinado para realizar essa obra, assim, as pessoas em situação de rua não conseguirão permanecer sob a estrutura”, acrescentou.

Segundo o promotor, 89% dessas pessoas são de outras regiões do Estado ou do país, que migraram para Florianópolis em busca de oportunidades.

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