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Beira-Mar Continental contribui pouco com a mobilidade no trânsito da Grande Florianópolis

Avenida Poeta Zininho, que liga a ponte Colombo Salles a Ponta do Leal e teve investimento de R$ 47 milhões, quase não recebe veículos e é mais utilizada como área de lazer

Michael Gonçalves
Florianópolis
17/02/2018 às 10H45

Subaproveitada para colaborar com a mobilidade urbana na Grande Florianópolis, a Beira-Mar Continental no bairro Estreito é utilizada basicamente para o lazer, apesar do investimento de R$ 47 milhões. Com apenas 2,3 quilômetros, as três pistas da Avenida Poeta Zininho recebem um pequeno fluxo de veículos diariamente, da ponte Colombo Salles até a Ponta do Leal, no Balneário do Estreito. Para o presidente da Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Grande Florianópolis), engenheiro Cassio Taniguchi, o ideal é que as obras fossem pensadas em conjunto e, assim, a Beira-Mar Continental poderia ter uma continuidade pelos municípios de São José e de Biguaçu até a rodovia BR-101.

Com 2,3km de extensão, avenida Poeta Zinho tem pequeno fluxo e termina na Ponta do Leal, no Estreito - Daniel Queiroz/ND
Com 2,3km de extensão, avenida Poeta Zinho tem pequeno fluxo e termina na Ponta do Leal, no Estreito - Daniel Queiroz/ND


O mesmo aconteceu em São José, com a Beira-Mar josefense, que liga o Centro Histórico ao bairro Campinas, mas não tem continuidade pelo município de Florianópolis com uma ligação direta até a Via Expressa (BR-282). “Isso acontece quando cada um pensa apenas no seu umbigo. As cidades vizinhas precisam ter uma noção de conjunto, porque o planejamento de um município tem reflexo no outro”, comentou o engenheiro Taniguchi.

A Beira-Mar Continental começou a ser construída em setembro de 2004 e deveria ser concluída em dois anos, mas a obra foi entregue somente em março de 2012. A justificativa do poder executivo a época é de que a obra iria desafogar o trânsito na Rua Fúlvio Aducci, que recebia um fluxo de 14 mil veículos por dia.

A restauração da ponte Hercílio Luz resultou no fechamento de duas, das três pistas, da Avenida Poeta Zininho e, mesmo assim, não são registradas filas ou retenção no trânsito. “A Beira-Mar Continental será importante nos acessos à ponte Hercílio Luz, principalmente, para os pedestres e ciclistas. Estamos resignificando a estrutura viária da região para saber se é viável a expansão do aterro, com a visão de corredores exclusivos para o transporte coletivo. Não podemos promover aterros a cada problema que aparece”, opinou o diretor do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis), arquiteto e urbanista Michel Mittmann.

Obras em conjunto são mais baratas e mais aproveitadas

O presidente da Suderf, engenheiro Cassio Taniguchi, explica que existe uma proposta desenvolvida pelo Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis) que prevê a continuidade da Beira-Mar Continental até a BR-101, em Biguaçu. A sugestão prevê a ampliação do espaço em mais oito quilômetros pelo custo aproximado de R$ 300 milhões.

Para o engenheiro, a obra deve ser realizada pelos municípios, Governo do Estado e Governo Federal. “Uma obra realizada em conjunto é mais barata, sofre com menos problemas e acaba sendo utilizada por mais pessoas. O problema de uma obra deste tamanho são as licenças ambientais, mas são obstáculos que precisam ser superados. Hoje, o foco da Suderf é a integração do transporte coletivo entre os municípios da Grande Florianópolis, para que depois possamos a pensar na melhoria dos acessos”, contou Taniguchi.

Por meio da assessoria de imprensa, a prefeitura de São José informou que negociou com a antiga administração de Florianópolis a construção da Beira-Mar de Barreiros. O projeto chegou a ser incluído no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Mobilidade, do Governo Federal, mas não seguiu em frente em função do contingenciamento de recursos. A prefeitura informou que tem interesse na obra, mas não possui recursos próprios.

Fechamento de duas faixas não interferiu no tráfego na região - Daniel Queiroz/ND
Fechamento de duas faixas não interferiu no tráfego na região - Daniel Queiroz/ND


 Excelente para a prática do lazer

Vítima da falta de entendimento entre as cidades da região metropolitana, o agente penitenciário Jorge Vieira, 60, sofre todos os dias com o deslocamento do bairro Bela Vista, em São José, até o complexo da Agronômica, na Capital. Hoje, ele tem a opção de transitar pela Via Expressa (BR-282) ou pela Avenida Leoberto Leal, Barreiros.

“A Beira-Mar Continental hoje liga nada a coisa nenhuma. O fluxo de veículo é tão pequeno que a obra da ponte Hercílio Luz fechou duas pistas e você não vê reclamação. Ela ficou boa para as atividades de lazer e para trafega em direção ao Balneário do Estreito ou em partes do Jardim Atlântico, porque não contribui efetivamente para a redução dos congestionamentos na Via Expressa”, lamentou o agente.

Além de ciclovia, bancos e calçada padronizada com piso tátil (para pessoas com deficiência visual), a Beira-Mar Continental tem parque infantil, equipamento para alongamentos e academia ao ar livre.

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