Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017
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Duplas musicais catarinenses falam sobre projetos autorais

Arte e música de Meliza e Piero, Jean Mafra e Felipe Melo, Tatiana Cobbett e Marcoliva, Dr. Jorge e Mister Seben, e Lindsay e Isaac

Para ser uma dupla musical é essencial que ocorra sintonia entre as partes e, principalmente, amor pela carreira para não desistir, apesar de todos os solavancos. Entre Meliza e Piero, Jean Mafra e Felipe Melo, Tatiana Cobbett e Marcoliva, Dr. Jorge e Mister Seben, e Lindsay e Isaac, é exatamente isso que acontece. Com a arte e a música em efervescência na Ilha, as duplas acompanham o ritmo e lançam clipes, álbuns novos e grandes projetos constantemente. Trabalhar com música autoral tem suas desvantagens, mas ao mesmo tempo, é por meio delas que eles mostram o que sabem fazer e traduzem suas impressões sobre mundo.

Todos sempre envolvidos com música, independente de projetos paralelos, encontraram no parceiro ou parceira a melhor forma de traduzir o que sentem. “Não é fácil trabalhar com música, nunca é, e ser dupla ou banda é a mesma coisa por aqui, os mesmos problemas”, explicou o músico Jean Mafra, que tem trabalhos solo, foi integrante da banda Samambaia e tem uma dupla com Felipe Melo há quase três anos.

Para Tatiana Cobbett e Marcoliva, que estão na estrada há 15 anos, a música autoral sempre foi bem recebida. “Sou muito orgulhosa pelo trabalho que fazemos. A gente nunca teve medo achando que o público não ia gostar, porque dedicávamos cinco horas por dia, de domingo a domingo, para elaborar um repertório e uma identidade nossa. As pessoas que nos assistem falam que tanto faz se estamos em um bar, na praça, na rua, ou em um teatro lotado, parece a mesma apresentação sempre”, contou Tatiana.

A dupla de amigos iniciou a “sonora parceria”, como definem o trabalho, na virada do milênio. “Ela trouxe muito da cênica, dessa parte da música pensada também pra se ver. Tatiana compõe muito bem e deu vida a algumas letras minhas. Foi um encontro bem frutífero”, ressaltou Marcoliva.

Com referências, como Regininha, Chiquinha Gonzaga, Elisa Regina, Maria Bethânia, Cristal e a catarinense Jana Goulart, foi em Buenos Aires e Montevidéu no início da carreira, que a dupla descobriu que o tipo de som que faziam era Música Popular Brasileira. Mas rótulos nunca importaram. Ambos querem estar no mercado fazendo o que amam, a música.

Outra dupla autoral que garante a força das duplas na Ilha é Janet e Joel Brito, com 20 anos de história. Ao som de jazz, blues, bossa e MPB, a voz potente de Janet é acompanhada pelo sax de Joel nos show pelo Estado.


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Amor que inspira

Meliza e Piero não sabem definir se primeiro nasceu a dupla musical ou se foi o amor, eles apenas apontam que há seis anos a rotina deles se confunde com a profissão que escolheram e a paixão que sentem um pelo outro. As coincidências vinham de antes de se conhecerem. O pai dela era contrabaixista no Rio Grande Sul, onde Meliza nasceu, e o pai dele era contrabaixista em Santa Catarina na década de 1960. A mãe dela toca gaita de ponto, e a mãe dele, acordeon.

Depois de se encontrarem pelos campus da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina), Piero tocando seu violão, e Meliza louca para gravar suas composições, a dupla se formou. Eles tentaram primeiro uma parceria com uma banda, mas os ideais eram diferentes, e o casal sempre buscou algo autoral. “Começamos a idealizar um CD com as minhas composições, os solos e arranjos do Piero”, explicou Meliza sobre o primeiro álbum lançado em 2014, “Meliza e Piero”.

A identidade deles parte da bossa, do samba e da MPB, mas a construção do CD ocorreu também graças à parceria com o produtor Luiz Sebastião e os 16 músicos que participaram das gravações. Atualmente, o casal faz show em bares, teatros e eventos corporativos e afirma que a há aceitação nos espaços quanto à música autoral. “Muitas vezes confundem nossas músicas com Marisa Monte ou Adriana Calcanhoto, mas isso nunca foi um problema para conseguirmos contratos quando buscamos”, contou Piero.

Na mesma linha do amor se formou a dupla Lindsay e Isaac, o casal que mora de maneira tranquila e pacata no Morro das Pedras, no Sul da Ilha, na companhia da cachorrinha Punk. Eles se conheceram via internet há 16 anos. Ela morando em Torres, no Rio Grande do Sul, e ele na Ilha. Se encontraram dois meses depois pessoalmente e buscavam algo em comum para continuarem juntos.

A música foi o pontapé inicial da dupla e do casamento. “Foi tudo meio entrelaçado, o nosso relacionamento e a minha relação com a música. Eu comecei a cantar junto com ele”, explicou Lindsay. A cantora largou o mundo dos provedores de internet e ele o da topografia para fazer o que gostavam. “Foi uma solução em vários aspectos, porque esse lance de banda é muito difícil de administrar. Eu tive algumas experiências, mas queria seguir um rock mais clássico em bares e com música autoral”, disse Isaac, que no duo prefere ficar responsável pela harmonia e arranjos.

Durante sete anos, os dois fizeram mais de 400 shows no Estado, mas teve uma hora que a correria de bar e repertório de música cover cansou. “Queríamos focar nas nossas composições, e desde 2007 tocamos esporadicamente”, diz Isaac.


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Na mesma linha do amor, vem Lindsay e Isaac, o casal que mora de maneira tranquila e pacata no Morro das Pedras, no Sul da Ilha, na companhia da cachorrinha Punk. Eles se conheceram via internet há 16 anos. Ela morando em Torres, no Rio Grande do Sul, e ele em Florianópolis. Se encontraram dois meses depois pessoalmente e buscavam algo em comum para continuarem juntos.

A música foi o ponta pé inicial da dupla e do casamento. “Foi tudo meio entrelaçado, o nosso relacionamento e a minha relação com a música. Eu comecei a cantar junto com ele”, explicou Lindsay. A cantora largou o mundo dos provedores de internet, e ele o da topografia para fazer o que gostavam. “Foi uma solução em vários aspectos, porque esse lance de banda é muito difícil de administrar. Eu tive algumas experiências, mas queria seguir um rock mais clássico em bares e com música autoral”, disse Isaac, que no duo prefere ficar responsável pela harmonia e arranjos.

Durante sete anos, os dois fizeram mais de 400 shows no Estado, mas teve uma hora que a correria de bar e repertório de música cover cansou. “Queríamos focar nas nossas composições, e desde 2007 tocamos esporadicamente”, diz Isaac.

A característica da dupla é a música em inglês, que segundo Lindsay, é mais fácil de divulgar. “É uma questão de fluidez com o idioma. Parece que o português expõe mais a letra e a gente trabalha muito com a subjetividade”, contou ela, que é autoditada na língua.

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Amizade e sintonia


“Não somos uma dupla, estamos uma dupla”, definiu Jean Mafra, sobre o projeto em parceria com o músico Felipe Melo. Os dois se conheceram em 2009, quando Jean ia até o estúdio em que Felipe trabalhava. Certo dia eles se sentaram em um sofá, Jean puxou uma composição e Felipe o violão, e dali saiu a vontade de tocarem juntos. O primeiro show ocorreu no Coisas de Maria João, em Santo Antônio de Lisboa, mas ficou naquilo. Os músicos voltaram a se encontrar apenas em 2012, e lançaram o EP “Micro-alegria” vendo que ali havia a possibilidade de lançar um álbum completo. Em abril deste ano nasceu oficialmente o “Mafra + Melo”. “O projeto está em um momento difícil de ser levado para bares ou casas noturnas. Ele é mais voltado para teatro, porque é muito enxuto, com muitos elementos”, explicou Felipe, que ressaltou a presença de Alexandre Damaria na percussão nas apresentações da dupla.

Mesmo que quisessem levar o “Mafra + Melo” para uma mesa de bar, Felipe conta que a receptividade não é boa em relação aos empresários. “Já tocamos em diversos locais, mas as casas não nos dão um dia que nossos amigos podem ir. Nos dão uma quarta-feira, por exemplo”, explicou. “Não podemos desconsiderar que vivemos em uma cidade pequena, uma população que não consome cultura, que é deslumbrada com que vem de fora. É uma cidade provinciana”, disse Jean, sobre o fato de mesmo com todos os “nãos” meter a cara e continuar na música. “Eu jamais vou ficar rico, mas vou fazer o que eu acho que tem que ser feito.”


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Quem também resolveu virar dupla, há um ano, foram os músicos Jorge Gomez, da antiga Phunky Buddha, e André Seben, da banda Os Chefes. Depois de um amigo em comum falar que o trabalho deles tinha tudo a ver, eles resolveram apostar no projeto e criaram o Dr. Jorge e Mr. Seben. “Nos conhecemos há mais de 25 anos, juntamos nossas músicas e convidamos Alex Arroyo (guitarrista) e Adriano Barvik (baterista)”, explicou Seben. Com mais de 90% de música autoral na dupla, os amigos ainda não compuseram em conjunto, mas acreditam que isso é questão de tempo. “Fazemos arranjos juntos, e um dá pitaco no trabalho do outro”, disse Jorge. 

Ao longo do projeto, os músicos fizeram três shows na Capital. “Não temos cultura de banda em Florianópolis. Geralmente querem um show grande, com intervalo, pra vender o maior número de bebida possível, e o nosso é curto, tem 1h30”, explicou Seben, ressaltando que a receptividade ao som feito por eles é ótima, mas com poucos espaços para tocar, a solução é sair da cidade rápido.

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