Publicidade
Sábado, 16 de Fevereiro de 2019
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 22º C

Segunda casa Ostradamus é um espaço para experimentar as delícias do mar

Restaurante, comandado pelo chef Jaime Barcelos e a empresária Juliana Sales, foi recém aberto na via gastronômica de Coqueiros

Thamy Spencer, especial para o Notícias do Dia
Florianópolis
08/02/2019 às 20H40
O chef Jaime Barcelos e a empresária Juliana Sales reuniram expertises, ele à frente de uma premiada cozinha, ela com a visão inovadora dos negócios - Marco Santiago/ND
O chef Jaime Barcelos e a empresária Juliana Sales reuniram expertises, ele à frente de uma premiada cozinha, ela com a visão inovadora dos negócios - Marco Santiago/ND



Quem conhece o chef Jaime Barcelos, de 53 anos, manezinho do Sul da Ilha, sabe muito bem que criatividade não tem limites. E quando essa mente imaginativa e empreendedora encontra a expertise da paulistana Juliana Sales, 39 anos, e que há anos adotou Florianópolis, a receita seria mesmo cheia de sabor. Não estamos falando só de um restaurante especializado em ostras e frutos do mar, mas de uma intensa experiência que mistura temperos, sensibilidade e arte. Por isso, de preferência vá com tempo para degustar cada pedaço do recém-inaugurado empreendimento gastronômico à beira do mar, na Praia do Meio, em Coqueiros, na região continental de Florianópolis – o segundo Ostradamus.

O espaço é novíssimo, porém carrega a tradição de mais de duas décadas de história do premiado restaurante no Ribeirão da Ilha, uma das regiões da Capital que ainda hoje preserva traços da cultura açoriana nas ruas, na arquitetura e na culinária. Então, não é mera semelhança. Pode-se encontrar no endereço novo, que abriu as portas no começo do mês, muito do que já é a identidade da casa, a começar pelo cardápio e pela proposta de levar o mar para dentro do ambiente. Essa ideia inspirou o projeto, concebido pelo jovem arquiteto Braian Baggio, o primeiro elaborado por ele para restaurante. E está presente nos detalhes de todos os ambientes: nos dois decks – palavra que era, inclusive, usada para se referir aos pisos de navios –, um com vista para a praia e o segundo, igualmente charmoso e com paredes de samambaias, aos fundos; no mezanino e nos demais recantos da casa.

“Um restaurante nunca acaba, está sempre sendo feito”, define Juliana. Os sócios estão sempre garimpando novidades para a decoração, em que se destacam três imensos painéis, dois com imagens feitas por Anderson Barbosa que remetem à produção de ostras, e um terceiro traz um mapa localizando os empreendimentos em Coqueiros e no Ribeirão e fragmentos da história da vida de Jaime que deram origem ao Ostradamus, em 1997. Com a mulher Luciana Fernandes de Barcelos, ele transformou a oficina mecânica em lanchonete, onde vendia caldo de cana e cachorro-quente, e mais tarde, incluiu as ostras. No mesmo painel, há uma frase de Aristóteles: “Somos o que repetidamente fazemos. A excelência (...) não é um feito, mas um hábito”.

O cardápio inclui várias formas de preparo de pescados, camarões e ostras  - Marco Santiago/ND
Tudo fresco, o cardápio inclui várias formas de preparo dos frutos do mar - Marco Santiago/ND



Receita nova, Cocoqueiros

Com a casa agora também em Coqueiros, o chef Jaime Barcelos se inspirou nessa região gastronômica da cidade que atrai visitantes e acrescentou ao menu a novidade: o Camarão Cocoqueiros, em que os crustáceos recebem o tropicalíssimo conjunto de abacaxi e manga salteados em gengibre, acrescidos de queijo coalho e castanha do Pará. É servido com arroz de coco.

O cardápio inclui várias formas de preparo de pescados, camarões e ostras, oriundas da produção própria na Fazenda Marinha Ostradamus, no Sul da Ilha. Uma sugestão da casa é a degustação desta iguaria como entrada – há mais de 15 sabores, como ao bafo, gratinada com creme de queijos, com gengibre, ostras do príncipe (com abacaxi, geleia de pimenta com tiras de figo seco e laminado e queijo brie), só para citar algumas.

Entre os pratos principais estão o Sinfonia dos Náufragos, espeto de camarão assado na brasa, regado com molho de ervas e acompanhamentos, e o Polvo da Andreia, homenagem a um restaurante de Porto (Portugal). O menu traz a informação do tempo aproximado de preparo de cada prato.

Restaurante ganhou projeto que une traços da cultura da Ilha e toques de modernidade - Marcos Santiago/ND
Restaurante ganhou projeto que une traços da cultura da Ilha e toques de modernidade - Marcos Santiago/ND



Cozinha de vidro e adega com 150 rótulos

Em meio a essas delícias, pode-se conhecer de perto como funciona o processo de depuração das ostras. Também é possível acompanhar o preparo, já que a cozinha tem paredes de vidro. A adega conserva 150 rótulos, como vinhos rosê de Provence, Dom Perignon, Perrier Jouet e outros, sob o comando dos sommeliers Eduardo Ferreira e Samuel Dias, já conhecidos no Ribeirão. As garrafas são guardadas a temperaturas de 16 graus, no caso dos tintos, e de seis graus os brancos. A chegada da marca francesa Cristal é aguardada na casa, que pretende também oferecer vinhos catarinenses. Outro detalhe à parte são os cardápios, em forma de pergaminho e guardados em lanternas usadas no cultivo dos moluscos.

Ao visitar o local, pode-se perceber a sintonia entre os requintes da cozinha no serviço e a proposta de Jaime de não haver desperdícios. “Procuramos trabalhar com perda zero”, ensina o chef Jaime.

Decoração ganhou vários elementos que remetem à tradição pesqueira da Ilha - Marco Santiago/ND
Decoração ganhou vários elementos que remetem à tradição pesqueira da Ilha - Marco Santiago/ND



Convite à visitação

Quem entra no restaurante, de 550 metros de área construída, logo percebe que há muito a explorar no ambiente. Na entrada, o visitante se depara com uma oração celta: “Que a estrada se abra à sua frente (...)”. No lugar, o moderno, como as pequenas luzes azuis que simulam ondas, e a tradição se completam. De cima pode-se enxergar a adega, através do vidro no piso. Há canoas em machetaria, feitas por um artista do Sul da Ilha, suspensas por cordas. Peças de renda de bilro e uma tela da artista plástica Patrícia Gonzaga em que a ponte Hercílio Luz é enfeitada pelas tramas de fios também estão no restaurante. “Todos os meses, artistas da terra vão expor seus trabalhos”, anuncia Juliana Sales. Em um canto, a proposta também é interagir: “Jogue sua rolha (dentro de um compartimento de vidro) e faça um pedido”. Azulejos portugueses e o teto em madeira são parte do projeto, que, conforme lembra Juliana, fala muito sobre Florianópolis. As pias do banheiro externo são feitas de barricas e a tubulação que leva a água, de bambu. Em uma parede, um mural gigante será a linha do tempo do local para receber fotos, recados, dedicatórias, história e homenagens.

O chef Jaime Barcelos conta que pescadores instalaram as redes e tarrafas da decoração. No meio do restaurante, uma grande rosa dos ventos, que traz no centro a figura de Netuno, o rei dos mares, chama atenção. “Essa história começa no Ribeirão”, inicia a contar o chef. O artista Jesus Fernandes, que é do bairro, aprendeu a fazer a cerâmica pintada em uma empresa da região para depois aplicar a técnica no Ostradamus.

Essa integração com as comunidades está na essência do negócio. “Há um projeto de gastronomia invisível”, explica Jaime. “Queremos dar uma parcela daquilo que a gente oferece”, acrescenta.  Ou seja, o desejo é trabalhar também no âmbito social, e essa experiência vem do Ribeirão, onde crianças aprendem sobre ostras, natureza e reaproveitamento durante palestras – uma bióloga já participou da iniciativa. Juliana tem essa mesma preocupação. Na outra casa que comandou, assegurava parte das vagas para pessoas com autismo.

O chef Jaime Barcelos com um dos pratos do cardápio do novo Ostradamus - Marco Santiago/ND
O chef Jaime Barcelos com um dos pratos do cardápio do novo Ostradamus - Marco Santiago/ND



Paixão por servir bem

Juliana Sales e o chef Jaime Barcelos são dois empreendedores que se completam. Na parceria, ela entra com a experiência de 15 anos do antigo trabalho, à frente do Outback; ele, como o chef e fundador do Ostradamus do Ribeirão, um dos primeiros restaurantes do Sul da Ilha a servir ostras, e do Tens Tempo Café.

Juliana já estava decidida a sair do ramo e chegou a frequentar um curso de coach. “Mas descobri meu real propósito”, diz. Soube que Jaime queria abrir um negócio. “Na hora percebi que ele não conseguia por falta de parceria”. Afinal, se não é fácil ser o capitão de um restaurante, imagine de dois. Foram tomar um café e logo descobriram afinidades.

“Essa generosidade de servir, de servir bem”, conta Juliana, sobre o principal ponto em comum de ambos. Resolveram juntar suas experiências. “Queremos ser ousados”, afirma ela, que dá a receita: “Uma energia com uma vibração alta faz você voar alto”.

Ostras na pitaya roxa com queijo coalho e maionese de laranja, preparação que brilha na gastronomia do Ostradamus - Marco Santiago/ND
Ostras na pitaya roxa com queijo coalho e maionese de laranja, preparação que brilha na gastronomia do Ostradamus - Marco Santiago/ND




Serviço

O quê: Ostradamus Coqueiros

Onde: Rua Desembargador Pedro Silva, 2314, na via gastronômica de Coqueiros, telefone 3771.5377.

Quando: das 11h às 23h, de segunda a domingo.

O que oferece: são 210 lugares em diferentes ambientes, incluindo dois decks e mezanino; cardápio de ostras e frutos do mar, adega com 150 rótulos, cachaça “intisica” no barril para experimentar, ambiente que remete ao mar, café e sobremesas.

Saiba mais: www.ostradamus.com.br

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade