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Jornalista lança obra na Bienal de SP em que conta a história de cinco garotas de programa

Em “Além dos Corpos”, Danielly Ribeiro, de 23 anos, entra em um tema tabu e descobre trajetórias humanas e fortes

Dariene Pasternak
Florianópolis
09/08/2018 às 20H17

A jornalista Danielly Ribeiro entrevistou profissionais do sexo para o livro “Além dos Corpos”, que foi seu trabalho de conclusão de curso em Jornalismo na Faculdade Estácio, em São José. A obra ganha lançamento na Bienal do Livro de São Paulo amanhã, no estande da editora Chiado Books, e no dia 23, às 19h30, na Estácio. O tema prostituição, como ela observa, é carregado de tabus, curiosidades, mas também falta muito diálogo sobre ele.

Em obra, jornalista procura desfazer tabus, mostrando histórias humanas, de mulheres fortes  - Eduarda Bittencourt/Divulgação/ND
Em obra, jornalista procura desfazer tabus, mostrando histórias humanas, de mulheres fortes - Eduarda Bittencourt/Divulgação/ND


Das histórias que ouviu, Danielly selecionou cinco – até pelo tempo que dispunha para produzir o TCC. Descobriu trajetórias de vida que passam por várias questões, desde o estupro, drogas, relacionamentos abusivos, mas também conheceu mulheres que deram a volta e assumiram suas vidas.

“Mesmo as garotas que têm um passado triste e traumático se apresentaram como protagonistas das próprias histórias, mulheres que usaram as dificuldades para dar a volta por cima de alguma maneira e não deram espaço para sentir pena delas mesmas. Foi inspirador! Cada história me fez evoluir como ser humano e eu sou muito grata a elas por terem compartilhado comigo relatos tão pessoais”, diz a autora..

Confira a entrevista:

Danielly, como você chegou a essas mulheres? Como escolheu a história de cinco somente para contar?

O primeiro contato foi bem complicado porque as garotas estavam trabalhando e algumas já estavam junto com clientes. Então, fui para uma sala onde algumas ainda estavam terminando de se arrumar, me apresentei como estudante de Jornalismo e perguntei se tinham interesse em me dar uma entrevista contando suas histórias. A maioria delas fugiu, então tive que ir conquistando aos poucos as que demonstraram algum interesse em conversar. A princípio, o objetivo era mostrar realidades bem distintas, então fui com a ideia de abordar garotas de idades variadas e perfis bem diferentes, mas na hora eu não pude “escolher” e nem houve uma “seleção”. Eu quis ouvir o que todas tinham para contar e aos poucos fui entendendo que cada uma tem uma história extremamente única e que vale a pena ser compartilhada. “

Como você contextualizou o livro? Como foi sua pesquisa sobre o tema prostituição?

Eu quis dar foco total às histórias das garotas de programa, pois acredito que para que possamos discutir sobre a prostituição é necessário conhecer a realidade das pessoas que vivem dela. O discurso sobre as prostitutas sempre foi muito generalizado, tendo como ponto principal o fato de que são mulheres que não tiveram outra opção de emprego, que não conseguiram estudar ou que não têm “dignidade”, etc. Sendo assim, o meu objetivo foi apresentar outras realidades, mostrar quem são essas mulheres de verdade e o motivo real pelo qual elas estão ali. Por isso, para contextualizar eu trouxe na introdução do livro apenas algumas informações sobre o surgimento da prostituição, o Projeto de Lei Gabriela Leite e apresentei algumas produções culturais sobre o tema. O meu livro é para dar voz às garotas de programa, para que elas possam falar por elas mesmas, e não sobre a prostituição em sua totalidade.

O que te levou a esse tema? O que você tira de aprendizado desse livro?

Eu sempre gostei de conhecer realidades diferentes da minha, de ouvir as histórias das pessoas e tentar entender as escolhas que fizeram para as suas vidas, então tinha muita curiosidade sobre as garotas de programa. Eu nunca acreditei no discurso popular de que elas são “sem-vergonha” ou que não tiveram outras oportunidades, mas eu precisava ouvir isso delas. Além disso, me incomoda o fato de que essas mulheres sempre são vistas de modo superficial, como se fossem apenas um corpo, e minha vontade era mostrar que elas são humanas, que são pessoas como qualquer um de nós, que têm histórias e que, acima de tudo, merecem que as suas histórias sejam escutadas com respeito, e não apenas com julgamentos. Escrever esse livro me ensinou muito sobre ser mais humana, sobre olhar para as pessoas com sensibilidade e me mostrou que, de fato, nós jamais devemos julgar ou discutir sobre qualquer realidade que não conhecemos verdadeiramente.

Livro tem lançamento no sábado, na Bienal do Livro de SP e no dia 23, na Estácio, em São José - Eduarda Bittencourt/divulgação/ND
Livro tem lançamento no sábado, na Bienal do Livro de SP e no dia 23, na Estácio, em São José - Eduarda Bittencourt/divulgação/ND


"Além dos Corpos" De: Danielly Ribeiro. Editora: Chiado Books. 74 págs. R$ 30

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