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Temer diz que país vai recuperar grau de investimento 'logo, logo'

O governo pretende ampliar o deficit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões e, para o próximo ano, de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões

Folha de São Paulo
São Paulo
12/08/2017 às 12H00

DANIEL CARVALHO, ENVIADO ESPECIAL

LUCAS DO RIO VERDE, MT (FOLHAPRESS) - Prestes a anunciar o aumento do deficit fiscal de 2017 e 2018, o presidente Michel Temer disse nesta sexta-feira (11) que o Brasil vai recuperar, "logo, logo", seu grau de investimento. "Quando vejo que o risco-Brasil, que estava em mais de 470 pontos negativos quando assumi o governo, hoje está em 195 pontos. Portanto, caiu significativamente e, logo, logo, nós vamos reassumir o grau de investimento que nós perdemos no passado", disse Temer a uma plateia de empresários do agronegócio ao inaugurar uma usina de biodiesel em Lucas do Rio Verde, interior de Mato Grosso.

Michel Temer na Inauguração da Fábrica FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde  - Gcom-MT/Mayke Toscano/Fotos Públicas/Divulgação/ND
Michel Temer na Inauguração da Fábrica FS Bioenergia em Lucas do Rio Verde - Gcom-MT/Mayke Toscano/Fotos Públicas/Divulgação/ND



O risco-Brasil no final da manhã desta sexta, no entanto, estava em 206 pontos (CDS com vencimento em cinco anos), acima do que anunciou o presidente.

Em setembro de 2015, a agência S&P tirou o selo de bom pagador do Brasil. Em dezembro do mesmo ano, a agência Fitch reduziu a nota do Brasil para um nível abaixo da categoria grau de investimento. A Moody's retirou o grau de investimento do Brasil em fevereiro de 2016, uma semana após o segundo rebaixamento pela S&P. Na ocasião, a Moody's reduziu a nota do país para dois níveis abaixo do grau de investimento.

O governo pretende ampliar o deficit deste ano de R$ 139 bilhões para R$ 159 bilhões e, para o próximo ano, de R$ 129 bilhões para R$ 159 bilhões. Estes números já levam em conta a frustração de receitas com o Refis, que não deve avançar como o esperado no Congresso. O deficit fiscal é um dos principais fatores observados pelas agências para definir o risco para investimento em um país.

Apesar deste cenário, Temer procurou manter o otimismo ao fazer um balanço da economia em seus 15 meses de governo. Dizendo-se "animado" e "com a alma incendiada", ele mencionou a queda da inflação e da taxa Selic -que ele prevê que chegará a "7,5%, 7%" até o final do ano-, e disse aos ruralistas da plateia sentir ter o apoio do empresariado ao seu governo.

"Ninguém, empresário, por mais ardoroso patriota que seja, é patriota, mas, naturalmente, investe em face das perspectivas do futuro. Ou seja, tem confiança. Ou seja, acredita no desenvolvimento do país. Ou seja, acredita no governo. E ter confiança significa apoiar o governo", afirmou.

"Venho com a sensação de que o Brasil prospera e confia no que estamos fazendo. Ninguém investe se não souber que, mais adiante, terá lucro, vantagens financeiras mais do que legítimas", disse Temer.

Ele disse estar sendo "mais que corajoso" ao conduzir reformas no país. "Estou sendo ousado porque são matérias que ficaram, durante anos e anos paralisadas, e fomos dando solução."

Afirmando ter diálogo com o Congresso, Temer não fez menção direta em seu discurso à reforma da Previdência, pauta cuja rejeição na base aumentou nos últimos dias pela proximidade das eleições de 2018 e porque os partidos não estão sendo recompensados pelo apoio dado ao presidente, alvo de denúncia de corrupção passiva.

REFORMAS

"Ainda estamos em crise, mas o Brasil começa a sair do buraco em que se encontrava", disse o ministro Blairo Maggi (Agricultura), que tem empresas que produzem na região.

Além de Maggi e do governador Pedro Taques (PSDB-MT), participaram do evento os governadores de Tocantis, Pará, Rondônia, Roraima, Amazonas e os vice-governadores de Maranhão e Amapá, todos integrantes da Amazônia Legal, que participavam de uma reunião em Cuiabá, capital mato-grossense.

Temer ouviu de empresários do agronegócio e políticos locais cobranças por infraestrutura de transporte na região, mas também foi saudado pelas reformas que estão na agenda econômica do governo.

"A reforma trabalhista foi e é muito importante. A da Previdência é necessária. Precisamos resolver a questão indígena", discursou Taques.

"Quero parabenizá-lo por estar fazendo as reformas que o Brasil precisa. Quero que o senhor siga em frente. Sei que vai fazer isso. É determinado e corajoso. O senhor vai passar para a historia do Brasil como o presidente que fez o que precisa fazer. Compreendo muito bem as reformas que o senhor está fazendo e a extrema necessidade delas para o Brasil", disse o prefeito de Lucas do Rio Verde, Luiz Binotti (PSD-MT).

PROTESTO

Temer foi a Lucas do Rio Verde para o lançamento de uma colheita de algodão e a inauguração de uma usina privada de biodiesel à base de milho.

Ele foi aos dois eventos de helicóptero e, por isso, não chegou a ver a manifestação que caminhoneiros realizaram contra ele e contra o aumento dos impostos que incidem sobre combustíveis.

Caminhoneiros bloquearam a BR-163, na altura de Lucas do Rio Verde, desde as 6h de sexta.

"É um protesto em repúdio à visita de Temer, por tudo, principalmente, pelo escândalos em que ele está envolvido. Nossa cidade não costuma receber bem corruptos", disse Gilson Baitaca, caminhoneiro e líder da manifestação.

Segundo os manifestantes, o bloqueio havia atingido 10 km da estrada nos dois sentidos da via no momento da visita de Temer.

De acordo com a concessionária que administra a rodovia, no mesmo momento, eram 4 km de paralisação, que impedia apenas a passagem de caminhoneiros.

As manifestações na região produtora de soja, milho e algodão começaram no dia 1º de agosto e se intensificaram nesta sexta.

Para evitar incidentes, a segurança do presidente recolheu garrafinhas plásticas de água mineral que estavam com convidados da usina e com jornalistas.

A última vez em que um presidente da República havia estado na região foi em 2014, quando a presidente Dilma Rousseff participou do lançamento da safra de soja.

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