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População de rua preocupa quem circula ou trabalha no Terminal Cidade de Florianópolis

Segundo balanço da prefeitura, que realiza abordagens sociais frequentes na cidade, 88% destas pessoas consomem ou abusam de álcool ou outras drogas

Redação ND
Florianópolis
09/01/2019 às 18H13

A grande quantidade de pessoas em situação de rua no Centro da Capital, mais especificamente no Terminal Urbano Cidade de Florianópolis, preocupa quem circula ou trabalha no local – e isso não é de hoje.  Enquanto obras previstas para o espaço não são feitas, moradores de rua e usuários de drogas seguem ocupando espaços do terminal, que todos os dias é utilizado por usuários de ônibus.

Pessoas em situação de rua buscam abrigo no terminal - Marco Santiago/Arquivo/ND
Pessoas em situação de rua buscam abrigo no terminal - Marco Santiago/Arquivo/ND


Na antiga estrutura, que comporta bancos quebrados, buracos em calçadas e tubulação danificada, pessoas em situação de vulnerabilidade parecem ter encontrado um teto coletivo. "Os moradores de rua estão morando aqui, evacuando no lado das guaritas e urinando", contou o motorista de ônibus Eduardo Silva. "Com os turistas chegando, fica até feio para Florianópolis", completou. Já outro motorista revela que o espaço é até mesmo palco de brigas de facções. "Tem traficante vendendo no terminal. A gente vê coisas aqui que são absurdos", comentou.

Até 15 anos atrás, o Terminal Urbano Cidade de Florianópolis era o mais importante da cidade. Tudo mudou em 2003, quando o Ticen (Terminal de Integração do Centro) foi inaugurado. O terminal antigo ficou interditado por sete anos e só foi reformado em 2010, sendo reaberto no ano seguinte.

As abordagens da prefeitura, segundo a comandante da Guarda Municipal, Maryanne Mattos, são frequentes. "Elas são diárias, tanto com a Guarda quanto em alguns dias com a Polícia Militar e a Assistência Social, sempre integradas". Nas ações, são oferecidos tratamentos para dependentes químicos ou encaminhamentos a oportunidades de emprego. Quem tem vontade de retornar para as famílias, por sua vez, pode ter acesso a passagens por meio da prefeitura. No primeiro semestre de 2018, foram concedidas 510 passagens de retorno para municípios de origem. Isso foi feito após o desenvolvimento de um trabalho de regresso para as famílias.

O objetivo das abordagens sociais, conforme a secretária de Assistência Social de Florianópolis, Maria Claudia Goulart, é resgatar o propósito da vida e auxiliar as pessoas a aderirem aos serviços do município. “A ideia é que a gente possa sensibilizar, saber qual motivo levou a pessoa à situação de rua, para ter uma ação efetiva e para que ela possa retornar à convivência familiar e social”, explicou Maria Claudia. Outra abordagem é feita por um grupo intersetorial de defesa, orientação e apoio a pessoas em situação de rua, que inclui ações nas praias e no Centro.

"Simplesmente retirar a pessoa promove um deslocamento de ponto", afirmou a secretária de Assistência Social. De acordo com Maria Claudia, a população pode colaborar não distribuindo esmolas, o que dificulta o trabalho das equipes de abordagem. "Cada vez que alguém ajuda uma pessoa nessa situação, faz com que ela permaneça nas ruas e se torne um ciclo vicioso."

Terminal Urbano Cidade Florianópolis - Marco Santiago/ND
Terminal Urbano Cidade Florianópolis - Arquivo/Marco Santiago/ND


O levantamento da prefeitura indica que 88% das pessoas em situação de rua consomem ou abusam de álcool ou outras drogas. “Muitos já têm o vínculo rompido com a família em razão disso”, informou Maria Claudia. Ao mesmo tempo, 12% estão nesta situação por outras razões – conflitos familiares, perda de emprego ou desilusões amorosas. "Precisamos diferenciar as pessoas que estão em situação de rua por não terem moradia ou vínculos familiares daquelas que estão por causa do uso de drogas", esclareceu a secretária.

Ao aceitar deixar a rua, as pessoas podem contar com o atendimento na Passarela da Cidadania, que oferece café da manhã, almoço e banho para 150 pessoas diariamente. Lá há 80 vagas para pernoite e existem albergues e casas de acolhimento da prefeitura. "No Centro Pop a gente tem uma equipe técnica de psicólogos e assistentes sociais para encaminhar tanto ao mercado de trabalho quanto para fazer avaliação acerca das relações familiares", garantiu a secretária de Assistência Social.

Situação crítica

Diariamente circulam no terminal ônibus executivos que fazem as linhas nos bairros de Florianópolis e os convencionais para a Grande Florianópolis, num total de 60 ônibus. Em uma reportagem publicada em julho do ano passado, o Notícias do Dia trouxe histórias de funcionários e passageiros que frequentam o espaço –  que relataram de roubos a problemas com chuva. Na ocasião, a prefeitura informou que a secretaria de Infraestrutura havia encaminhado o levantamento sobre as necessidades de obras, juntamente com o orçamento, à secretaria de Transporte e Mobilidade Urbana. O Ministério Público Estadual, inclusive, já havia solicitado à prefeitura que apresentasse um orçamento relativo a melhorias no terminal.

O secretário de Transporte e Mobilidade Urbana diz que os esforços para resolver esses problemas no terminal fazem parte de um plano maior, que inclui a revitalização do Centro Histórico de Florianópolis. O plano de restruturação, como noticiou o ND, visa transfor­má-lo em um local útil para a comunidade. Em novembro do ano passado, o prefeito Gean Loureiro pediu ao Estado a cessão da área para dar início ao projeto, que deve agregar serviços como o Pró-Cidadão e o Centro de Atendimento ao Turista. "Estamos aguardando os encaminhamentos finais do Estado para que possamos efetivamente abrir o processo licitatório”, explicou Marcelo Roberto da Silva. "Já fizemos um orçamento do que seria toda a recuperação desse terminal, mas a ideia é nós licitarmos, para que uma empresa privada faça a exploração do espaço em troca da manutenção, conservação e segurança", completou o secretário.

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