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Meios empresariais e políticos apresentam pleitos para Michel Temer em Santa Catarina

Presidente desembarca nesta quarta-feira em Florianópolis para evento do setor da construção; visita deve contar com presença de ministros e correligionários do partido

Fábio Bispo
Florianópolis
16/05/2018 às 07H37

Um dia depois de divulgar o balanço de dois anos de gestão à frente da Presidência da República, Michel Temer (PMDB) desembarca nesta quarta-feira (16) em Florianópolis para participar do 90º Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção). Esta é a segunda vez que Temer vem ao estado desde que se tornou presidente. Em nenhum dos dois casos as viagens tiveram como motivação assuntos da gestão de governo. Na última vez, o presidente participou da cerimônia de homenagem às vítimas do acidente da Chapecoense, em dezembro de 2016.

Temer em Chapecó - Beto Barata/PR/ND
Temer em Chapecó - Beto Barata/PR/ND



A cerimônia de abertura do evento está marcada para as 19h30, no Centro de Eventos de Canasvieiras. O governador do Estado, Eduardo Moreira (PMDB), que participa de encontro do Zicosur (Zona de Integração do Centro-Oeste da América do Sul), na Argentina, informou que retornará a tempo de recepcionar o presidente. Moreira terá um breve encontro a portas fechadas antes do evento. Nessa ocasião, o governador deve entregar a Temer um documento com pedidos para aumento da capacidade da aduana de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste, por meio do aumento nos postos de trabalho da Receita Federal.

A presença do presidente da República nas aberturas do Enic são comuns, segundo informa Marco Aurélio Alberton, presidente Asicc-SC (Associação dos Sindicatos da Construção Civil), realizadora do evento. Esta é a segunda vez que Santa Catarina sedia o encontro, as duas últimas foram em Blumenau (1996) e Joinville (2000). “Nosso lema é por um país melhor. Por isso estaremos colocando para sociedade e governos envolvidos nossas demandas para retomada do crescimento do país”, disse Alberton.

Temer deve desembarcar em Florianópolis acompanhado dos ministros Alexandre Baldy (Cidades), Esteves Colnago (Planejamento), Helton Yomura (Trabalho), Vinícius Lummertz (Turismo) e Wagner Rosário (Transportes). O ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ficou de confirmar na manhã desta quarta-feira (16) se irá comparecer ao evento.

O cerimonial da Presidência, que está na cidade desde o início da semana, ficará responsável pelos pronunciamentos e pela gestão da segurança de Temer. Ainda não foi divulgado o roteiro nem o horário de chegada à Florianópolis, mas a expectativa é de que o presidente siga da base aérea para Canasvieiras de helicóptero. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) ficará responsável pela escolta e policiamento nas imediações do Centro de Eventos.

Ensaio para palanque presidencial 

A ascensão de Michel Temer à Presidência e a de Eduardo Moreira ao governo do Estado, ambos vices em suas chapas, surgiram em contextos diferentes, já que no primeiro caso ocorreu o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e no segundo a renúncia de Raimundo Colombo (PSD) para concorrer ao Senado.

No entanto, diante do cenário eleitoral de 2018, considerado um dos mais imprevisíveis desde a redemocratização, a disputa pelos palanques estaduais é uma das principais estratégias para que os postulantes consigam visibilidade em diferentes regiões do país e, o mais importante, apoios políticos.

Temer já manifestou suas intenções de concorrer à Presidência, assim como Moreira dá pistas de que pode estar na disputa pela continuidade no governo do Estado. Mas, igualmente, ambos enfrentam resistências dentro do próprio PMDB. Com um cenário ainda indefinido, tanto na disputa nacional como estadual, a presença de Temer em Santa Catarina, com sua tropa de ministros, pode servir como um ensaio para medir o peso de um palanque para o PMDB em Santa Catarina.

Segunda dobradinha do PMDB desde o fim da ditadura 

Esta é a segunda vez na história recente da política brasileira que nação e o Estado de Santa Catarina são comandados por políticos do mesmo partido. A última vez que um governador catarinense atendia pela mesma sigla do presidente foi na gestão de Pedro Ivo Campos (1987-1990), que tinha José Sarney (1985-1990) como presidente. Ambos do PMDB.

Em outros governos, foi muito comum presidentes e governadores eleitos na mesma coligação ou estarem em partidos que se apoiavam, como no caso de Paulo Afonso (PMDB) e Fernando Henrique (PSDB), ambos os partidos compunham o governo FHC, ou no governo Lula (PT) e Luiz Henrique (PMDB), cuja a coligação continha as duas siglas. No caso de Raimundo Colombo (PSD), cuja gestão terminaria este ano, nas eleições de 2014, o partido ajudou a eleger Dilma (PT), mas acabaram rompendo após o impeachment.

Pauta política é tratada em Brasília, diz deputado 

Por se tratar de evento privado, com foco no setor da Construção Civil, anúncios de investimentos ou ações de governo não devem ser feitos na noite desta quarta-feira (16). Mesmo assim, o evento deve contar com a presença de correligionários do partido como forma de prestígio ao presidente.

O deputado federal Rogério Peninha Mendonça (PMDB) informou que estará presente na cerimônia, mas que não deve tratar de política no evento. Segundo sua assessoria, a questão política é tratada em Brasília e o ambiente não seria apropriado.

Já o deputado Valdir Colato (PMDB) disse que permanecerá em Brasília, onde tem agenda, mas disse que a passagem de Temer por Santa Catarina sob o comando do partido pode servir como demonstração de influencia do partido. “Temer e Moreira são próximos e com certeza essa visita será benéfica para Santa Catarina”, disse.

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