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Há cerca de um mês em Florianópolis, patinetes elétricos podem oferecer risco no trânsito

Serviço disponível há cerca de um mês com 250 equipamentos ainda não tem normativa específica, segundo o Denatran, nem multa. Guarda Municipal recomenda uso de capacete e ciclovias

Redação ND
Florianópolis
11/01/2019 às 09H32

Eles viraram uma atração à parte na área central da cidade e entre alguns, tornaram-se preferência para deslocamento em pequenos percursos. Os patinetes elétricos, que há cerca de um mês rodam na cidade em fase de testes, parecem divertidos, mas podem ser um risco no trânsito e exigem cuidados por quem utiliza e por motoristas. Ainda não há uma normativa de trânsito específica para eles, de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), nem é possível multar os maus usuários. Por isso, é preciso se cercar de cuidados e obedecer algumas regrinhas básicas.

Patinete oferece risco no trânsito - Flávio Tin/ND
Patinete oferece risco no trânsito - Flávio Tin/ND

“Se atingir alguém, pode machucar”, opinou o designer Bernardo Presser, de 31 anos, usuário eventual dos patinetes para trajetos menores na rotina dele, de sair de casa, no bairro Coqueiros, passar pelo Ticen, no Centro, e chegar ao trabalho próximo à avenida Beira-Mar. “Acho que ninguém sabe a ‘etiqueta’’’, comentou, enquanto descia de um patinete junto à Praça XV, no Centro, e manifestava a pouca destreza com o equipamento de rodinhas e motor. O que mais receia é perder o equilíbrio e não conseguir frear. Contou que a namorada já sofreu uma queda junto ao meio-fio da rua.

Um dos problemas é que equipamentos são largados em locais aleatórios, espalhados, fora das áreas indicadas. Também é arriscado se manter entre o vaivém de carros e cortar a frente deles, ainda mais. A recomendação é usar os patinetes em ciclovias e ciclofaixas ou, em último caso, calçadas.

A comandante da Guarda Municipal da Capital, Maryanne Mattos, orienta os usuários a seguirem normas do Código de Trânsito Brasileiro como, por exemplo, andar em baixa velocidade (6 km/h) nos passeios públicos - o equipamento pode fazer até 22 km/h. Outra dica é não abrir mão do capacete. “O maior respeita o menor, esse é o comportamento que pedimos”, diz. “O caminhão respeita o carro, que respeita a moto, que respeita o patinete”, exemplifica. 

>> Confira o editorial do Grupo RIC sobre a utilização dos patinetes e a insegurança no serviço

xxx - Flávio Tin/ND
Bernardo Presser, 31 anos, é usuário eventual dos patinetes  - Flávio Tin/ND

“Essa cidade é meio apertada para andar de patinete, mas se andar no lugar certo...”, disse a cuidadora Nicolle, 28 anos, que, ao lado do marido, o pastor Rafael Piassin, 31, pastor, tentava andar no equipamento perto do Mercado Público. Desconfiavam de que a bateria havia terminado. “Em princípio vamos testar para usar de casa, na Avenida Hercílio Luz, ao Ticen”, contou ela, que vai de ônibus ao trabalho.

Na calçada da Rua Tenente Silveira, meninos divertiam-se em dois deles, na calçada. A comandante da Guarda admite que as crianças são curiosas em relação aos patinetes, mas a responsabilidade é dos pais - precisa ter 18 anos para andar. Mais abaixo, na Rua Felipe Schmidt, uma tampa de bueiro amassada e sinalizada com um pedaço de cabo de vassoura era o perigo – e não só para quem anda em duas rodinhas. “Já vi gente cair aqui, diversas vezes veio o Samu”, alertou Gustavo Philippi, que trabalha na cafeteria em frente.

Etiquetas

Quem conduz patinetes precisa estar “ligado” nas dicas de segurança contidas em etiquetas encontradas nos equipamentos. São elas:

- não sair do perímetro indicado

- evitar cair em bueiros

- não brincar com os patinetes

- usar capacete

- usar ciclovias

- utilizar as duas mãos no guidão

- respeitar o sentido da via

- uma pessoa por patinete

- estacionar os patinetes em pontos indicados 

Sem poder de multa

Mesmo no caso de utilização errada dos patinetes, autoridades de trânsito ainda não podem emitir um auto de infração. O Denatran/Contran informou, por meio de sua assessoria, que não tem até o momento normativa para esse tipo de modal e que o assunto está em estudo na câmara temática de engenharia do órgão.

A diretora de ensino de um Centro de Formação de Condutores no bairro Trindade, Luciene Machuca, há oito anos instrutora, assegura que patinetes não constam na legislação de trânsito como veículo, mesmo sendo elétricos: “Há regras para ciclomotores, bicicletas elétricas... não tem legislação que fale sobre isso”.

Ainda que a situação seja essa, no CFC as aulas de direção defensiva ensinam a adotar cuidados com outros veículos de duas rodas – dar preferência de passagem e se manter a pelo menos 1,5m de distância lateral ao ultrapassar. Para ela, patinetes são considerados brinquedos e deveriam circular em lugares como condomínios. A Guarda Municipal admite que não pode autuar, mas a empresa pode identificar o usuário e o equipamento.

A empresa prestadora do serviço, a Grin, informou que há amparo na legislação, por meio da Resolução 465, de 2013, do Conatran (Conselho Nacional de Trânsito), que regula o uso de equipamentos de movimentação individual autopropelida (que exige uma impulsão inicial), inclusive prevendo características necessárias, como velocímetro, buzina e outras

Conscientização sobre o jeito certo

O secretário de Cultura, Esporte e Juventude de Florianópolis, Edmilson Pereira, diz que até agora não houve registro de acidente envolvendo patinetes. A mesma informação é dada pela Guarda Municipal. Ele espera que a empresa prestadora do serviço desenvolva campanhas de conscientização sobre o jeito certo de usar.

Ele cita como um ponto positivo o fato de a localização dos patinetes ser feita por GPS, o que permite indicar os trajetos mais usados. Essas informações ajudam a definir trajetos para construção de novas ciclovias. A estimativa é que no Centro da Capital entre 2 mil e 3 mil pessoas façam uso do equipamento, principalmente em percursos entre o Ticen e a Avenida Rio Branco e na Rua Esteves Júnior.

Ele informa também que a intenção é abrir em fevereiro o edital de licitação para exploração do serviço.

Para usar

O primeiro passo é baixar no celular o aplicativo do serviço, fazer o desbloqueio e seguir as recomendações. São 250 patinetes disponíveis na área central. 

Contraponto

Paula Nader, CMO e cofundadora da Grin Brasil, disse que o serviço ainda é recente - a primeira empresa dessa área nasceu em setembro de 2017 -  e que depende da construção de uma cultura. Ela afirma que os patinetes resolvem para o usuário problemas de deslocamento com algumas vantagens, e que a empresa faz o possível para manter a cidade organizada.

Quando identificam, por exemplo, equipamentos parados indevidamente, fazem o recolhimento. “Tem que ser bom para quem usa e para quem não usa”, afirma. Conforme Paula, não houve identificação de problemas na utilização, e que por meio de redes sociais, do site da Grin e do aplicativo, onde há um tutorial, buscam falar sobre segurança.  O uso de capacete é uma das orientações, assim como ter 18 anos.

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