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Florianópolis é capital com maior variação de mortes violentas em 2017

Interesse de maior facção brasileira por Santa Catarina foi estopim para explosão da violência no ano passado

Schirlei Alves
Florianópolis
09/08/2018 às 20H51
Carro foi atingido por 15 tiros na avenida Beira-Mar Norte - Marco Santiago/ND
Homem foi morto após carro ser alvejado Beira-Mar Norte, no ano passado - Marco Santiago/ND

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018 publicado ontem expôs mais um recorde estatístico violento para o Brasil. Embora Santa Catarina tenha aparecido como um dos três Estados com a menor taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes, Florianópolis foi a capital que demonstrou a maior variação de 2016 para 2017. Os dados divulgados pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) leva em conta homicídios, latrocínios (roubo com morte), lesões corporais seguidas de morte, homicídios de policiais e mortes por intervenções policiais.

Em números absolutos, Florianópolis não chega nem perto das capitais mais violentas do país em 2017 (Rio de Janeiro, com 2.131 mortes, e Fortaleza 2.031). Porém, a capital catarinense foi a que registrou o maior aumento, de 96,7% (de 90 mortes, em 2016, para 180 mortes, em 2017).
O interesse da maior facção brasileira sediada em São Paulo por Santa Catarina teria sido o estopim para e explosão da violência no ano passado, uma vez que a organização encontrou resistência de criminosos locais.

Sabendo desse destaque negativo, a SSP (Secretaria de Estado de Segurança Pública) adiantou, no mês passado, os números atualizados do último semestre, cujo resultado foi de queda na relação de crimes violentos. A expectativa da SSP é de que Florianópolis esteja melhor colocada na estatística do próximo ano. “O aumento [de mortes] em 2017 foi por conta do crescimento da disputa do crime organizado. Tanto que as principais estratégias foram empregadas no sentido de cessar essas disputas com o reforço de operações policiais”, avaliou o secretário Alceu de Oliveira Pinto Júnior.

O presidente da Anaspra (Associação Nacional de Praças) e membro do FBSP, sargento Elisandro Lotin, avalia o crescimento da violência como um problema nacional e histórico impulsionado pela política pública de repressão, o que influencia, por consequência, no aumento de mortes por policiais (5.100 mortes em intervenções policiais no Brasil e 77 em Santa Catarina). “Essa política é um grande erro, tem que ter repressão, mas qualificada. Paralelo a isso, precisa de política preventiva, trabalhando fatores sociais. O que a sociedade e a classe política não entenderam ainda é que segurança não é só problema de polícia”, destacou.

Novos dados de feminicídio

O único dado não fornecido pela SSP de Santa Catarina foi o de mortes esclarecidas. Na estatística do FBSP, que depende dos levantamentos estaduais, não havia os números de 2016 e nem de 2017, o que impede de avaliar a eficácia de elucidação dos crimes.

Em contrapartida, o Estado se atualizou com relação ao feminicídios que também não eram contabilizados até o Anuário de 2017. Acontece que os feminicídios não devem mais ser contabilizados com os homicídios de mulheres, uma vez que correspondem aos crimes de gênero e decorrentes de violência doméstica.

Embora os números ainda sejam altos comparados aos outros Estados, Santa Catarina registrou redução em ambos os crimes no último ano. Os homicídios de mulheres reduziram 5,6% (de 115, em 2016 para 110, em 2017) e os feminicídios caíram 11,1% (de 54, em 2016, para 48, em 2017).

No entanto, o crime de lesão corporal dolosa no contexto de violência doméstica aumentou 10,7% no período. Em 2016, 11,4 mil mulheres registraram boletim de ocorrência após terem sido agredidas por seus companheiros. No ano seguinte, 12,8 mil vítimas procuraram a delegacia.

A quantidade de estupros também assusta. No Brasil, foram registrados 60 mil casos no ano passado, o que representa um aumento de 8,4%. Desse total, 3.900 foram em Santa Catarina, cuja variação foi ainda maior (9,8%). “Se levarmos em consideração que esse número de registros corresponde a 10% do que ocorre efetivamente, pois existe uma condenação muito grande à vítima (que por conta disso, acaba não registrando ocorrência), em um país extremamente machista, a quantidade de estupros é ainda maior. É algo absurdamente assustador”, lamentou Elisandro Lotin.

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