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"Estrada da morte" fez 47 das 61 vítimas de grande incêndio em Portugal

Dos 47 mortos na via, 30 foram encontrados em seus carros, e os outros 17 fora dos veículos ou à beira da estrada. A maioria morreu carbonizada

Folha de São Paulo
Porto (POR)
18/06/2017 às 18H55

GIULIANA MIRANDA

PORTO, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Das 61 vítimas mortais do incêndio florestal que atinge Pedrógrão Grande e arredores, no centro de Portugal, 47 estavam na estrada nacional 236, que já está sendo chamada de rodovia da morte pelos portugueses.

A estrada regional é cercada por uma vegetação densa que -com o clima seco, a temperatura elevada e os ventos fortes- acabou se tornando combustível para alimentar as labaredas e propagar rapidamente o incêndio.

Dos 47 mortos na via, 30 foram encontrados em seus carros, e os outros 17 fora dos veículos ou à beira da estrada. A maioria morreu carbonizada. As demais vítimas estão espalhadas por aldeias da região. Entre os mortos, houve também quem tivesse inalado a fumaça tóxica do incêndio.

Pessoas morreram carbonizadas em seus carros enquanto viajavam em uma estrada - Paulo Novais/Lusa
Pessoas morreram carbonizadas em seus carros enquanto viajavam em uma estrada - Paulo Novais/Lusa


Segundo relatos dos sobreviventes, a fumaça escura dificultou a visibilidade e muitos acabaram presos nas labaredas. Eles relatam cenas de terror.

Segundo o Ministério da Administração Interna, ainda há quatro frente de incêndios ativas. O calor e a baixa umidade do ar permanecem neste domingo e há o temor, entre os moradores, de que novas aldeias sejam afetadas. Cinco localidades foram evacuadas preventivamente.

Diversas nações prestaram mensagens de solidariedade aos portugueses. A França e a Espanha cederam aeronaves para auxiliar no combate as chamas.

>> Ao menos 61 mortos são confirmados em grande incêndio florestal em Portugal

Vítimas

O governo português prometeu divulgar na noite de domingo (tarde no Brasil) um novo balanço da situação. Até agora, foram confirmados 61 mortos, 57 feridos e 150 desabrigados. O número de desaparecidos ainda não foi divulgado.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, foi até o local e tentou minimizar críticas de moradores de que o trabalho de auxilio teria sido lento. "Este é o momento para combater [o incêndio], não para fazer avaliações", disse a ministra.

A Polícia Judiciária trabalha agora para recolher e identificar os corpos. No caso das vítimas carbonizadas, em que a identificação visual não é possível, o trabalho será mais demorado.

De acordo com o médico Carlos Durão, perito-legista, nesses casos é a identificação leva em conta uma série de fatores, desde os pertences e o local onde os corpos foram encontrados até a arcada dentária.

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