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Estado de SC espera cortar mais de R$ 14 milhões por ano em gastos com aeronaves

Futuro governador Carlos Moisés (PSL) vai abrir mão de aeronaves e diz que vai optar prioritariamente por voos comerciais; principal gasto aéreo do gabinete já é com locação

Fabio Bispo
Florianópolis
06/12/2018 às 12H08

 O futuro governador de Santa Catarina, Carlos Moi­sés (PSL), anunciou que vai abrir mão das duas aerona­ves à disposição do gabine­te do governador. O Cessna Citation II, fabricado em 1989, e o Em­braer Carajá, ano 1983, de­vem ser colocados à venda já no início de 2019, segun­do divulgou o gabinete de transição. O valor das ae­ronaves é avaliado em R$ 2 milhões, mas o principal argumento é de que em quatro anos a economia do Estado com manuten­ção, combustíveis, locação de hangar e outras des­pesas ligadas às aerona­ves podem chegar a R$ 14 milhões. Segundo o futuro governador, todos os deslo­camentos a partir do pró­ximo ano serão realizados através de voos comerciais.

CITATION (PP-ESC): jato foi fabricado em 1989 e tem alto custo de manutenção - Reprodução/ND
CITATION (PP-ESC): jato foi fabricado em 1989 e tem alto custo de manutenção - Reprodução/ND

Levantamento do Notí­cias do Dia sobre os gastos do Estado entre 2011 e 2018, mostra que o valor chegou a R$ 22,7 milhões com ser­viços aéreos, segundo infor­mações colhidas junto ao Portal da Transparência. As despesas estão vinculadas à Casa Civil e incluem, além dos gastos com as duas ae­ronaves, valores emprega­dos na locação de aviões e helicópteros. Esses valores não incluem os gastos com a tripulação.

Gastos com aviões governo SC - Arte/ND
Arte/ND

Os dados mostram que mesmo tendo à disposição as duas aeronaves, o maior gasto com serviço aéreo foi com a locação de jati­nhos e helicópteros (R$ 7,6 milhões). Já o gasto com combustíveis foi de R$ 3,6 milhões, enquanto a verba destinada para a manuten­ção das aeronaves ficou em R$ 3,4 milhões.

Com a venda das ae­ronaves, além de reduzir os custos com combustível e manutenção, o governo também deverá economi­zar com as despesas do hangar, alugado no Aero­porto Internacional Her­cílio Luz, que desde 2011 somou uma despesa de R$ 473 mil.

Na avaliação de Moi­sés, segundo divulgou a as­sessoria de imprensa, não seria “coerente a manu­tenção de toda uma estru­tura aérea para subsidiar deslocamentos esporádi­cos exigidos pelo exercí­cio da função, motivo pelo qual, fará os deslocamen­tos necessários utilizando prioritariamente voos co­merciais”, segundo a nota divulgada à imprensa na noite de terça-feira (4).

Vazamento em aeronave em pleno voo

Quando Raimundo Co­lombo (PSD) assumiu, em 2011, o Estado tinha quatro aerona­ves: Citation (1989), Cheyenne (1982), Carajá (1983) e Xingu (1984). As duas últimas tinham maiores custos de manutenção em virtude da falta de peças de reposição. Na época, Colombo cancelou contrato de locação de um helicóptero que ficava 24h à disposição do gabinete e cogitou a compra de uma aero­nave mais moderna, já que as do governo apresentavam alto custo de manutenção, mas aca­bou resistindo à ideia.

A reportagem do ND anali­sou as 1.494 notas de empenhos relacionadas ao serviço aéreo custeado pela Casa Civil. É pos­sível perceber que para trajetos longos o Estado optava pela lo­cação de jatinhos mais moder­nos, como o Learjet 45 ou heli­cópteros. A locação de aeronaves também se justificaria pelos dife­rentes roteiros que o governador poderia cumprir em um único dia, se deslocando por diversas regiões do Estado, onde os voos comerciais não chegam. Somen­te com a locação de helicópteros foram mais de R$ 2 milhões.

Uma das notas de empenho, de 2012, revela a situação de precariedade das aeronaves do governo. No documento que justifica o gasto de R$ 1,2 mil para colocação do selo da porta principal da aeronave Citation II está destacado que a tripula­ção descobriu em voo um vaza­mento de óleo.

Mesmo tendo dois aviões à disposição e de ter empregado mais de R$ 7,6 milhões no aluguel de aeronaves, a Casa Civil do Es­tado ainda desembolsou outros R$ 366 mil com passagens em voos comerciais.

Aeronave apresentou vazamento em pleno voo, em 2012 - Reprodução/Portal da Transparência/ND
Aeronave apresentou vazamento em pleno voo, em 2012 - Reprodução/Portal da Transparência/ND

As aeronaves:

1. CITATION (PP-ESC): Aeronave bimotor de propulsão a reação (jato), pressurizada, fabricada pela Cessna, ano 1989, modelo Citation II C550, desenvolve a velocidade de cruzeiro de 650 km/h, voa a altitude aproximada de 43 mil pés, tem capacidade de transportar até 9 (nove) passageiros (2 tripulantes + 7 passageiros).

2. CARAJÁ (PT-RFT): Aeronave bimotor turbo-hélice, não-pressurizado, fabricada pela Embraer, ano 1983, modelo Carajá EMB 820C, desenvolve a velocidade de cruzeiro de 450 km/h, voa a altitude de 8 a 10 mil pés, tem capacidade de transportar até 7 (sete) passageiros (2 tripulantes + 5 passageiros).

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