Publicidade
Segunda-Feira, 21 de Janeiro de 2019
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 23º C

Farra com dinheiro público: auxílio-mudança será pago duas vezes para deputados reeleitos

Dos sete eleitos/reeleitos, quatro já usam imóvel funcional; benefício foi concedido antes do prazo pelo presidente da Câmara e custou R$ 17 milhões

Fábio Bispo
Florianópolis
10/01/2019 às 10H57

Mais de R$ 603 mil serão pagos aos deputados federais catarinenses para permitir que eles se mudem ou retornem para assumir seus mandatos em Brasília. Mesmo quem já mora na Capital já recebeu parte do recurso. O benefício, chamado de auxílo mudança, é pago no início e no fim de cada legislatura e foi antecipado em um mês aos 513 deputados, incluindo 270 reeleitos. O valor equivalente a um salário mensal, no valor de R$ 33,7 mil, foi depositado no dia 28 de dezembro. Normalmente a verba é paga no dia 31 de janeiro, quando encerra o mandato. 

Todos os 16 deputados catarinenses receberam o benefício. O valor foi inclusive pago aos cinco deputados reeleitos e aos dois deputados que se elegeram para o Senado. Desses sete que receberam o auxílio, quatro ocupam imóveis funcionais em Brasília. Veja quanto e quem recebeu.

Arte/ND - Rogério Moreira


Em fevereiro será a vez dos novos eleitos receberem o benefício, tanto na Câmara como no Senado. Os reeleitos, que já receberam a verba por conta do fim do mandato,  também estão incluídos na lista e somarão R$ 75,4 mil recebidos para realizarem a mudança de residência que talvez nem ocorra, já que permanecerão em Brasília. Em dois meses, os rendimentos dos deputados que emendarem um mandato no outro poderá chegar próximo dos R$ 200 mil, incluindo além dos dois salários os dois auxílios e a segunda parcela do 13º, paga em dezembro.

Segundo assessoria da Câmara, dos deputados que assumem em fevereiro, cinco já abriram mão do benefício: Bohn Gass (PT-RS), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Heitor Schuch (PSB-RS), Marcio Alvino (PR-SP) e Tereza Cristina (DEM-MS). Bohn Gass e Heitor Schuch abriram mão tanto do benefício pago no fim da legislatura como o que será pago para o novo mandato. Oficialmente, segundo assessoria da Câmara, até o momento nenhum catarinense abriu mão dos benefícios de auxílio-mudança. 

Gil Castelo Branco, da ONG Contas Abertas, diz que os casos mais graves sobre o auxílio-mudança são aqueles pagos aos reeleitos ou aos suplentes que ocupam o cargo no fim de mandato: “O auxílio-mudança contem três absurdos. O primeiro é conceder esse auxílio para os que já moram em Brasília. Em segundo lugar você está concedendo àqueles que foram reeleitos e que já moravam em Brasília. E terceiro, que é o pior de todos, é que tem parlamentar que vem pra Brasília em janeiro, porque o parlamentar antigo passou a desempenhar alguma função no Estado de origem e durante um mês se paga auxílio-mudança para o parlamentar que vem a Brasília fazer sabe-se lá o que", afirmou Branco.

Catarinenses se manifestam

A reportagem do ND entrou em contato com os parlamentares catarinenses reeleitos, ou seja, aqueles que têm instalações em Brasília e mesmo assim receberam o recurso. Jorginho Mello (PR) e Esperidião Amin (PP) informaram que abrirão mão do auxílio-mudança que terão direito ao assumir no Senado. Jorginho Mello ainda afirmou que irá devolver o valor já pago pela Câmara em dezembro. Já Amin informou que não tem conhecimento se recebeu o auxílio da Câmara e vai verificar se realmente o valor foi depositado. "Eu não fui consultado e desconhecia esse auxílio", disse. Sobre a ajuda de custo que teria direito ao assumir o senado, Amin disse que já comunicou a diretoria responsável que vai declinar do recebimento. "Esse sim eu comuniquei que vou abrir mão", explicou.

A reportagem não conseguiu contato com os deputados reeleitos Geovânia de Sá (PSDB), professor Pedro Uczai (PT), Carmen Zanotto (PPS), Celso Maldaner (MDB) e Peninha (MDB).

A antecipação do auxílio-mudança só foi feita pela Câmara, autorizado pelo presidente Rodrigo Maia . O Senado deverá pagar o benefício aos senadores que deixam a casa no final de janeiro. Os senadores Paulo Bauer (PSDB) e Dalírio Beber (MDB) terão direito a este benefício.

Publicidade

6 Comentários

Publicidade
Publicidade