Publicidade
Domingo, 16 de Dezembro de 2018
Descrição do tempo
  • 31º C
  • 23º C

Catamarã passa no teste para o transporte marítimo na Grande Florianópolis

Único impedimento para o início da operação em caráter experimental é a emissão da LAI (Licença Ambiental de Instalação), que precisa ser autorizada pela SPU, em Brasília (DF)

Michael Gonçalves
Florianópolis
12/03/2018 às 16H59

Com rapidez, segurança e conforto, o catamarã da empresa BB Barcos, de Imbituba, percorreu nesta segunda-feira (12) o trajeto entre a localidade da Prainha, no Centro de Florianópolis, até o bairro Ponta de Baixo, em São José, em 12 minutos. A navegação foi um teste e uma demonstração aos membros do poder executivo dos municípios da Grande Florianópolis e do Estado sobre a viabilidade do transporte marítimo de passageiros. O único impedimento para o início da operação em caráter experimental é a emissão da LAI (Licença Ambiental de Instalação), que precisa ser autorizada pela SPU (Secretaria do Patrimônio da União), em Brasília (DF). O valor da tarifa deve variar entre R$ 8 e R$ 9, equivalente ao transporte coletivo executivo.

Catamarã terá capacidade de 180 passageiros sentados e mais três tripulantes - Michael Gonçalves/ND
Catamarã terá capacidade de 180 passageiros sentados e mais três tripulantes - Michael Gonçalves/ND


O secretário de Estado de Infraestrutura, Luiz Fernando Vampiro, e o presidente do Deter (Departamento de Transportes e Terminais), Fúlvio Rosar, acreditam na viabilidade na implantação do projeto até o segundo semestre de 2018. “A operação experimental deve durar seis meses e, após esse período, vamos lançar uma licitação para escolher uma empresa. Já conseguimos a LAP (Licença Ambiental Prévia) da Fatma (Fundação Meio Ambiente) e, agora, aguardamos a LAI”, informou o presidente do Deter.

O catamarã terá capacidade de 180 passageiros sentados e mais três tripulantes. Além das poltronas, a embarcação é climatizada e possui um monitor de televisão. Com dois potentes motores, o catamarã ultrapassa os 30 nós de velocidade, que equivale a 60 km/h. Apesar do vento contrário e da chuva, a embarcação saiu do Iate Clube Veleiros da Ilha e chegou até a Ponta de Baixo em 12 minutos.

Com mais sete minutos de navegação, o catamarã chegou ao bairro Barra do Aririú, em Palhoça. “O transporte aquaviário é estável, econômico e rápido, e as nossas embarcações estão à disposição da sociedade. Para viabilizar o transporte, vamos reformar o trapiche atrás do Centrosul e faremos a dragagem no local”, contou o proprietário da BB Barcos, Raul Machado.

As embarcações dessa empresa operam em Porto Alegre (RS), Santos (SP) e Belém (PA). A intenção é oferecer o serviço diariamente, das 6h às 20h.

    

Primeiro trajeto entre a Capital e São José, mas Palhoça e Biguaçu estão no projeto

O primeiro trajeto do transporte marítimo deve ligar o Centro de Florianópolis até o bairro Ponta de Baixo, em São José. Após o início da operação, o objetivo é ampliar o serviço para os municípios de Palhoça e de Biguaçu. Segundo o secretário de Planejamento e Assuntos Estratégicos de São José, Rodrigo de Andrade, o trapiche está apto para receber a embarcação.

“O nosso trapiche na Ponta de Baixo está em ótimo estado e pronto para receber este novo modal de transporte. Também estamos buscando o licenciamento para o trapiche do Centro Histórico e, assim, teríamos duas paradas na orla sul. O próximo passo será a construção de uma estrutura náutica na região de Barreiros, na orla norte”, afirmou.

De acordo com Farid Othman, diretor da Isotrel, que construiu o trapiche jofesense, o flutuante precisa de uma adaptação. Isso porque ele precisa ter a mesma altura da embarcação para receber os passageiros. Farid também explicou que a estrutura tem capacidade para receber até 10 toneladas, o equivalente a 100 pessoas simultaneamente.

O objetivo é ampliar o trajeto até o município de Palhoça. O prefeito Camilo Martins (PSD) informou que realiza estudo de batimetria para saber os melhores locais para estabelecer o sistema. “Nosso objetivo é ter trapiches em condições de receber passageiros e embarcações nas praias do Sonho e de Fora, além da Enseada de Brito e da Ponte do Imaruim. Estamos passando por um momento difícil perante a mobilidade e o transporte marítimo é uma solução viável”, disse o prefeito.

Em Biguaçu, o vice-prefeito Vilson Norberto Alves (PP) também afirmou que pretende receber o transporte. “Temos três trapiches, no Pier 33, na praia João Rosa e em São Miguel, e estamos preparados para receber o transporte. Até porque 60% das pessoas do nosso município trabalham em Florianópolis”, lembrou.

 

Integração entre o transporte coletivo e o marítimo

Para ser eficiente, o transporte marítimo precisa da integração com os ônibus coletivos. O secretário de Transporte e Mobilidade Urbana, Marcelo Roberto da Silva, afirmou que no primeiro momento haverá uma integração física. Isso quer dizer que haverá uma linha que passará no trapiche atrás do Centrosul.

Já a integração da tarifa deve ser estudada em momento posterior. “São custos distintos que precisam ser avaliados. Após o período experimental, teremos a possibilidade de avaliar as planilhas de custo para saber se existe a viabilidade de integração das tarifas”, comentou o secretário.

Marcelo contou que existe um projeto para municipalizar o transporte marítimo do Centro até o Continente, Norte e Sul da Ilha. Atualmente, a cidade conta com o transporte lacustre da Lagoa da Conceição até a Costa da Lagoa e até a Barra da Lagoa. “Esse é mais um projeto de governo do prefeito Gean Loureiro (PMDB), que estamos iniciando os estudos com o Governo do Estado para definir os locais e rotas”, explicou.

O vice-prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes (PSDB), disse que o preço deve ficar mais popular com a procura do serviço. “Estamos com várias forças tarefas para desburocratizar as licenças, porque o transporte marítimo sempre gerou muita expectativa e frustração. No início, o preço será equivalente ao transporte executivo, mas pode baixar com a demanda crescente, mas isso é o Deter quem decide”, afirmou o vice-prefeito.

 

O catamarã

Capacidade de passageiros – 180 poltronas;

Tripulantes – Três marinheiros;

Velocidade – 30 nós, o equivalente a 60 km/h;

Motor – Dois motores de Scania 500 hp;

Equipamentos de navegação – GPS, ecobatimento, luzes de navegação e holofote;

Acessórios – Sistema de climatização por ar-condicionado e televisão, mas sem banheiros.

Fonte: BB Barcos

Publicidade

7 Comentários

Publicidade
Publicidade