Segunda-Feira, 21 de Janeiro de 2019
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Parque Estadual do Rio Vermelho: a natureza em sua forma mais pura

Em meio à extensa área de vegetação, visitantes de todas as idades recebem aula de educação ambiental em um espaço que reúne trilha, área de preservação e hospital para ani­mais debilitados

Entre as praias do norte e do leste da ilha, em Florianópolis, existe uma extensa área de ve­getação que, na maioria das vezes, passa des­percebida. Pouca gente sabe que lá dentro, no meio da floresta de Mata Atlântica, visitantes de todas as idades recebem uma verdadeira aula de educação ambiental. E onde biólogos, vete­rinários e policiais ambientais trabalham dia e noite para salvar a vida de milhares de animais.

Unidade de Conservação de uso integral recebe 4 mil animais por ano - Drone/Marcelo Feble/Divulgação/ND
Unidade de Conservação de uso integral recebe 4 mil animais por ano - Drone/Marcelo Feble/Divulgação/ND


O Parque Estadual do Rio Vermelho é uma Uni­dade de Conservação de uso integral. E isso faz dele um misto de trilha ecológica, com área de preservação e hospital para tratamento de ani­mais debilitados. É uma viagem surpreendente que pode ser fei­ta pela família toda, num dos cenários mais en­cantadores da ilha da magia, já que o parque faz limite com o Rio Vermelho, ao norte, a Lagoa da Conceição, à oeste, e a Barra da Lagoa, à leste.

Tratamento de animais e educação ambiental num só lugar

Na entrada do Parque Es­tadual do Rio Vermelho fica o centro de visitantes, um local com lanchonete, banheiros e espaço para receber as comu­nidades locais, turistas e alu­nos de escolas públicas e pri­vadas. É ali que os monitores reúnem essas pessoas em gru­pos para visitarem a Trilha Eco­lógica do Rio Vermelho, num passeio cheio de aprendizado e descoberta.

Trilha ecológica: deck de madeira minimiza o impacto sobre os animais e a vegetação - Divulgação/ND
Trilha ecológica: deck de madeira minimiza o impacto sobre os animais e a vegetação - Divulgação/ND


A trilha foi aberta em 2015, e leva os visitantes por um deck de madeira até os recintos de vários animais que não podem ser soltos na natureza. Ou por­que viviam presos em cativeiro de forma irregular, ou porque sofreram acidentes e maus tra­tos. A presidente da R3 Animal, Cristiane Kolesnikovas, que tra­ta desses animais apreendidos, explica que o objetivo principal é a soltura dos animais. “Nós só mantemos aqueles que não podem sobreviver sozinhos na natureza para educação am­biental, para conscientizar a população sobre o mal que fa­zemos, comprando animais de forma ilegal”, esclarece.

Por dentro da floresta de Mata Atlântica, cada bicho que a gente encontra tem uma his­tória. Nos primeiros recintos es­tão os chimpanzés, que foram apreendidos. Uma espécie de macaco bem barulhenta, por sinal. A coordenadora do par­que, Adriana Nunes, explica que o ruído que esses animais produzem na presença de es­tranhos é um alerta ao bando para proteger os filhotes.

Mais à frente, um grupo de crianças de um colégio munici­pal de Florianópolis observava o recinto de uma coruja junto com a monitora, Raquel Rodol­pho. “Por que ela não aparece?” perguntou um menino. “É que ela tem um defeito nas asas”, disse Raquel. “Ela vive escon­dida numa casinha ali dentro porque a dona dela não dava tudo o que a coruja precisava para viver”, completou a moni­tora, deixando claro que lugar de bicho selvagem é na natu­reza, e não dentro de casa.

Superestrutura abriga animais marinhos

Eles chegam cansados, magrinhos, com dificuldade de respirar. Muitos moradores de Florianópolis já sabem que, em determinadas épocas do ano, os pinguins aparecem no nosso litoral, geralmente, bastante debilitados. Mas esses animais nem precisam pedir aju­da porque as comunidades na beira das praias já sabem onde levar os pe­quenos visitantes.

Pinguins da Patagônia recebem tratamento VIP antes de voltar para casa - Divulgação/ND
Pinguins da Patagônia recebem tratamento VIP antes de voltar para casa - Divulgação/ND


Uma caixa de papelão serve como meio de transporte até o Parque Esta­dual do Rio Vermelho. É lá que os pin­guins recebem um atendimento de primeiro mundo. Assim que eles che­gam, são levados direto para o ambula­tório onde são examinados pelos vete­rinários do parque. São diagnosticados, alimentados e ficam em observação o tempo que for necessário até estarem aptos a viajar de volta para casa.

Mas, até lá eles ficam muito bem acomodados. Desde março de 2018, os animais marinhos que são resgata­dos no litoral catarinense recebem tra­tamento no Centro de Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos, o maior do gênero no Brasil.

Com investimento de R$ 2,5 milhões, o local foi construído em uma parceria do Instituto do Meio Ambiente de San­ta Catarina com o Projeto de Monito­ramento de Praias, uma condicionan­te que a Petrobrás pudesse explorar o pré-sal na Bacia de Campos. O projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre aves, tartarugas e animais marinhos.

O centro de reabilitação fica na parte de trás do parque, onde os vi­sitantes não chegam. Trata-se de um galpão equipado com ambulatório, sala de necropsia para avaliar a causa da morte de animais, sala de estabili­zação e reabilitação. Alguns pinguins, por exemplo, ficam um tempo sendo tratados e alimentados nesse local, até que estejam aptos a nadar nova­mente. E é aí que entra a superestru­tura do parque. São 12 piscinas com espaço suficiente para receber cerca de 170 animais marinhos ao mesmo tempo. A veterinária Marina Alcala diz que é preciso levar em conta que os pinguins tem uma longa viagem pela frente. “Por isso, eles ficam na piscina pra gente ver se estão nadando bem, e ter certeza de que estão, de fato, prontos para voltar para casa”.

Salvando os animais

Além dos animais marinhos, o Par­que tem estrutura para receber, abri­gar e tratar animais Silvestres no Cen­tro de Triagem, o CETAS.

O veterinário Daniel Felippi é quem cuida de várias espécies apreendidas no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS). Um papagaio, por exemplo, que vivia preso numa gaiola, de forma ilegal, foi apreendido com suspeita de pneumonia. Ele conta que é extremamente comum as pes­soas terem animais silvestres em casa. “O problema é que elas não sabem a melhor forma de manter esses ani­mais. Erram na alimentação e na am­bientação deles”, explica o veterinário.

Papagaio Verdadeiro apreendido com pneumonia - Divulgação/ND
Papagaio Verdadeiro apreendido com pneumonia - Divulgação/ND


Durante os últimos dias, o papagaio tem sido levado para o ambulatório por uma estagiária, e o Daniel aplica uma injeção com antibiótico para tra­tar a pneumonia. Um quadro fixado na parede do ambulatório mostra todo o cronograma de medicações que devem ser dosadas nos animais que chegam com algum problema de saúde. “Cada um recebe um me­dicamente específico pra cada tipo de doença”, conta Daniel.

O CETAS do Parque Estadual do Rio Vermelho existe desde 1995, e já salvou a vida de milhares deles. A nova estrutura, inaugurada no ano passa­do, permitiu aumentar o número de animais no local de 200 para 700.

O chefe da triagem, Marcelo Duar­te, diz que a mentalidade das pesso­as vem mudando. “Hoje, tem muita gente que quer dar uma nova alter­nativa para o seu papagaio. Estão nos trazendo e nos doando esses ani­mais”, conta ele, com sorriso no rosto. “Se um passarinho cai do ninho, as pessoas tentam colocar de novo no ninho! Mas se não conseguem, colo­cam o animal dentro de uma caixa de sapato e trazem pra cá pra gente tentar salvar”.

Serviço:

 A Trilha do Rio Vermelho é aberta ao público de terça a domingo, das 9h às 17h.

Lazer em família

Para quem gosta de acam­par, o Parque Estadual do Rio Vermelho também reserva um lugar especial. O Camping, localizado a apenas três quilô­metros da entrada do parque, conta com churrasqueiras, ba­nheiros com chuveiros, espaço de lazer com campo de fute­bol, vôlei, bocha, além de trilha para a praia do Moçambique. De forma barata e em meio à natureza, o Camping é um dos melhores e mais procura­dos locais para passar as férias, recebendo turistas de todas as partes do mundo.

Totalmente arborizada, a área de acampamento com espaço aproximado de 12 campos de futebol é perfeita para dar privacidade às cente­nas de pessoas que procuram o local para passar as férias e descansar. “É um espaço para a família. Você pode passar o fim de semana, um mês, tra­zer sua moto-home e ficar jun­to à natureza com segurança”, diz a coordenadora do parque, Adriana Nunes. Nos fundos do camping, o visitante ainda tem acesso às praias do Moçambi­que e à Barra da Lagoa.

Atrações não faltam. O ze­lador do camping, Solenir Ma­chado, mostra o parquinho de diversões para as crianças, e leva os adultos até o viveiro de mudas, onde podem até escolher uma planta. “A gente prepara as mudas para plantar no parque, mas quem quiser também pode levar uma para casa”, conta Solenir, que cui­da do viveiro como se fosse o quintal da casa dele.

Aliás, o camping é um exemplo de reaproveitamen­to de resíduos. Tanto o par­que quanto a área do cam­ping tem tambores de lixo para coleta de materiais. A sustentabilidade é a palavra de ordem em todo o parque do Rio Vermelho.

E além de curtir a nature­za do camping, o visitante também pode realizar casa­mentos, festas de aniversá­rio e todo o tipo de evento. Sempre, claro, observando as regras de limpeza e conserva­ção do parque.

Natureza intocada

Esse é um lugar de contem­plação. Quem visita as praias de São Francisco do Sul não pode deixar de conhecer um dos maiores parques naturais de Santa Catarina.

Parque Estadual Acaraí, em São Francisco do Sul, vai ganhar um centro de visitantes - Marcelo Feble/Divulgação/ND
Parque Estadual Acaraí, em São Francisco do Sul, vai ganhar um centro de visitantes - Marcelo Feble/Divulgação/ND


Uma área de 6.600 hecta­res conserva parte da natureza do município e do litoral norte do estado. São restingas, man­gues e uma densa vegetação de Mata Atlântica que fazem parte do Parque Estadual Aca­raí. O nome vem do rio que corta a cidade e passa por toda a extensão do parque. Um verdadeiro paraíso para os amantes da natureza.

O parque fica localizado na frente da Praia Grande, onde foi construído um deck, entre o mar e a restinga, para que o turista possa contemplar a na­tureza exuberante desse lugar.

Existe um projeto que já foi aprovado para a construção de um centro de visitação, com auditório, lanchonete, banhei­ros e toda a estrutura neces­sária para receber grupos de estudantes. As obras devem começar até o fim de 2019.

Entre os atrativos estão uma trilha ecológica, que corta o parque desde a beira da praia até o rio Acaraí. “Vai ser possível alugar caiaques para navegar pelo rio”, antecipa o coorde­nador do parque, Leandro Cit­tadin. O foco, segundo ele, é a educação ambiental.

Também vai ser construído um mirante para que o visi­tante tenha uma visão ampla do parque e saiba da impor­tância de preservar lugares como esse.

E o local ainda vai contar com um alojamento para pesquisadores desenvolverem seus trabalhos dentro da uni­dade de conservação.