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Beneficiada com reconstrução mamária, moradora de Biguaçu conta sua luta contra o câncer

Jacira de Fátima Alves Jaworski esperava há seis anos pela cirurgia e foi escolhida este ano no mutirão do Outubro Rosa

Karin Barros
Florianópolis
08/10/2017 às 17H25

Foi em 2010 que Jacira de Fátima Alves Jaworski, 53, descobriu um nódulo na mama esquerda. Na realidade, quem notou foi o marido, e Jacira custou a admitir a possível doença e procurar um médico. “Fiquei apavorada, não queria me conformar”, conta. Na época, ela morava em União da Vitória (PR) e não lembra dos médicos pedirem mamografia, mesmo já estando na faixa de risco – que é acima dos 40 anos, segundo a Lei 11.664/2008. Após o diagnóstico de que o caroço era maligno, a aposentada fez todos os procedimentos no Paraná. Só a radioterapia que não, pois a cidade não disponibilizava e, com a morte do marido, ela se mudou para Biguaçu para continuar o tratamento contra o câncer mais perto do Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas).

Jacira Jaworski esperou seis anos pela cirurgia de reconstrução mamária - Daniel Queiroz/ND
Jacira Jaworski esperou seis anos pela cirurgia de reconstrução mamária - Daniel Queiroz/ND


A operação para a retirada do câncer aconteceu em 2011, mas foi há três meses que Jacira conseguiu parar com todas as medicações. O cabelo, que caiu após a quimioterapia, hoje é motivo de orgulho e de dedicação para deixá-los cada dia mais bonitos.

Porém, a autoestima de Jacira ainda era afetada quando se olhava no espelho. Para ela, depois da cirurgia de retirada do nódulo, o objeto virou um inimigo. A mudança no guarda-roupa foi nítida, com blusas que cobriam bem o colo e os biquínis esquecidos em uma gaveta.

Até 12 anos de espera

Mesmo sendo um benefício garantido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), as cirurgias de reconstrução mamária têm uma longa fila de espera e um processo mais lento ainda. Em clínicas particulares, a cirurgia vai de R$ 6.000 a R$ 20 mil.

Antes do projeto de mutirão que envolve Amucc (Associação Brasileira de Portadores de Câncer), Cepon e clínicas parceiras, idealizado pelo médico Evandro Parente, mulheres chegavam a esperar 12 anos pela cirurgia. De acordo com Lilian Vaz Martinho, terapeuta ocupacional do Gama (Grupo de Apoio à Mulher Mastectomizada), do Cepon, o projeto aconteceu na mesma época em que estava chegando à cidade o movimento Outubro Rosa, que visa dar importância ao autoexame para o diagnóstico precoce e a diminuição do índice de mortalidade.

Jacira Jaworski estava indo para o sexto ano de espera pela reconstrução mamária quando recebeu, há dois meses, a notícia que tinha sido uma das mulheres “adotadas” pelo cirurgião plástico Henrique Müller para a operação na Casa de Saúde São Sebastião. “Fiquei muito feliz, eu chorava de alegria”, conta. A cirurgia aconteceu na última quinta-feira (5), e na sexta-feira à tarde ela já estava em casa. Ela contou ao ND que a operação foi como o esperado e já se sentia muito bem com a reconstrução. Jacira foi uma das 25 mulheres escolhidas entre uma lista de mais de 150.

A cirurgia foi bem-sucedida e Jacira já ganhou alta do médico Henrique - Marco Santiago/ND
A cirurgia foi bem-sucedida e Jacira já ganhou alta do médico Henrique - Marco Santiago/ND



Lilian explica que diversos fatores contam para a escolha da paciente dentro mutirão, já que o Cepon não conta com UTI no momento, e a hotelaria das clínicas particulares tem valores bem altos. “Normalmente o primeiro critério é o tempo de espera que essa mulher tem, e os outros são relacionados à saúde, como pressão alta, por exemplo, que pode ocorrer uma emergência e a cirurgia se complicar”, explica.

Pós-cirúrgico ainda é delicado

O médico Henrique Müller entrou para o mutirão em 2011 motivado pela mãe, que tinha câncer de mama, mas era uma exímia motivadora das pacientes dele. “É interessante participar disso, ao mesmo tempo remota muito com a saudade de lidar com a minha mãe na época da doença”, conta Müler, que a perdeu em 2013. “Quando ela morreu eu pensei que não conseguiria lidar com a situação de rever esse momento. Mas como sabia que era uma coisa que ela gostava que eu fizesse, me deu fôlego para manter essa parceria com a Amucc no Outubro Rosa”, diz.

Lilian Vaz Martinho lembra ainda que algumas mulheres fazem a reconstrução e podem passar por rejeição, por isso, mesmo com a cirurgia, é um período delicado. Contudo, o ganho na autoestima é imensurável. “É olhar para o seu corpo e ele não estar mais mutilado, porque a cirurgia contra o câncer é como você amputar o quê tem de mais feminino no corpo”, afirma.

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