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Sábado, 20 de Outubro de 2018
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Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

E ele disse: “Quem gosta de pobreza é intelectual, o povo gosta de luxo”

Luiz Carlos Prates

Já foi dito que a pior imitação é a imitação de nós mesmos. Pobre da pessoa que não tenha alguém a imitar, a seguir os passos. Essa imitação costuma ser comum na juventude. Também é bom lembrar que há dentro de nós uma pequena multidão, multidão formada pelas pessoas que nos cruzaram pela vida e nos deixaram impressões. Não nos damos conta, mas é a mais sacrossanta das verdades, somos uma multidão. E ao meio dessa multidão, destacam-se as impressões que nos ficaram das pessoas que mais impressivamente nos rodearam na infância.

Acabei de ver uma tirinha humorística num jornal de São Paulo e fiquei pensativo: humm, isso é um passo atrás! Já conto. Antes preciso dizer que no passado era muito comum um jovem iniciar-se no jornalismo, por exemplo, tendo uma figura ídolo a seguir os passos, a imitar abertamente, um locutor, mais das vezes. Essa pessoa “imitada” era um exemplo, provocava admiração, era alguém que estava “lá em cima”, ninguém era louco de imitar uma pessoa do “andar de baixo”. Só subimos na vida olhando para cima...

A tirinha humorística do jornal mostrava um gerente de banco vestindo um tonel, um barril, imagem de alguém sem ter o que vestir, pobreza absoluta. Diante do gerente, alguém pergunta: por que estás vestido assim? E na tirinha aparecia uma informação: - Bancos tiram terno e gravata para se aproximar dos clientes.

Inaceitável esse relaxamento abusivo e empobrecedor visando à aproximação com os clientes. Mas está na moda esse tipo de tentativa de conquistar simpatizantes. Na televisão se vê isso e de modo assustador, tudo visando a tal aproximação com os pobres...  Que nojo. A propósito, lembro do carnavalesco Joãozinho Trinta, o que imortalizou a Escola Beija-Flor. Perguntado sobre o luxo da escola, ele respondeu: - “Quem gosta de pobreza é intelectual, o povo gosta de luxo”! Na mosca.

Se não tivermos a quem imitar, gente boa, competente e de bons costumes, babaus, ficaremos imitando a nós mesmos. Aliás, já me “aconselharam” mil vezes a não usar terno e gravata nas minhas palestras. Coitados, estão acostumados com os desmazelados e contadores de piadas. Terno, gravata e sempre que possível o melhor em tudo. As pessoas não gostam de miséria, se gostarem, puft, ficarão lá embaixo na vida.

 

MOMENTO

Claro que você já notou que estamos passando por um momento muito ruim... As pessoas qualificadas, de bons modos, educadas, competentes são xingadas, chamadas disto e mais aquilo... Por quê? Porque suas virtudes constrangem, “ofendem” aos ordinários, baita maioria. Mas que fique claro: ninguém está impedido de crescer, de ser gente. Todos sabem disso, mas os vadios, em maioria, fazem força para se impor. Perdedores.

 

FALTA DIZER

A criança pode se achar feia, pobre, isto e aquilo, mas os pais as podem ajudar decisivamente. Basta dizer aos filhos que eles poderão ser o que quiserem na vida, desde que estudem bastante e tornem-se leitores, devoradores de livros. Não é preciso dinheiro para isso e... os resultados serão fulminantes aos debochados que chegarem perto deles... Baita “segredo”!

 

 

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