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Quarta-Feira, 15 de Agosto de 2018
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Comentários sobre cinema, séries, música, televisão e entretenimento. Você confere aqui o que vale a pena maratonar ou assistir na telona, assim como os destaques da playlist e os temas que despertaram o interesse de um entusiasta da cultura pop.

Gustavo Bruning é jornalista, repórter do Notícias do Dia, colecionador de filmes e fã incondicional do gênero terror.

Como as tentadoras viagens no tempo, fascinantes na ficção, são dispensáveis no mundo real

Filmes como "Questão de Tempo" e "Click", além da série "11.22.63", trazem esse elemento e permitem que o espectador reflita os limites de um retorno ao passado

Gustavo Bruning

Diante das rotinas e do cotidiano, não é raro nos depararmos com a noção de que não temos controle suficiente de nossas vidas. De que tudo apenas segue acontecendo e somos apenas personagens prisioneiros da grande narrativa que nos cerca. Como se o livre arbítrio existisse, mas o curso natural prevalecesse. A verdade, ainda assim, é que temos muito mais poder do que jamais iremos presumir. No fim das contas, somos as únicas variáveis que temos capacidade, na prática, de administrar. Não estamos distantes dos nossos ídolos, chefes ou referências. O que nos separa destes são as escolhas e o empenho empregado na conquista das metas.

Domhnall Gleeson e Rachel McAdams em
Domhnall Gleeson e Rachel McAdams em "Questão de Tempo" - Divulgação/ND


Em meio a uma conversa sobre até onde vai a nossa capacidade para mudar o que julgamos insatisfatório, lembrei de um filme que assisti no cinema há cinco anos. "Questão de Tempo", escrito e dirigido por Richard Curtis ("Simplemente Amor e "O Diário de Bridget Jones") traz um protagonista que possui a habilidade de voltar no tempo e mudar diferentes circunstâncias da própria vida. Enquanto a maioria dos filmes que envolvem viagens no tempo foca no aspecto aventureiro ou fantasioso, este longa traz as implicações emocionais. É um filme verossimil, sem espaço para os divertidos, porém exóticos, androides de olhos vermelhos e DeLoreans voadores.

Quando um jovem de 21 anos descobre que os homens em sua familia têm o poder de voltar ao passado, ele decide usar a habilidade para conseguir uma namorada. Tim não é capaz de alterar a história, mas pode simplesmente mudar o que acontece ou já aconteceu na própria vida. Ele então se apaixona perdidamente por Mary, mas um incidente faz com que os dois nunca tenham se conhecido. É aí que ele precisa utilizar seu talento atípico para corrigir essa disfunção.

Os questionamentos que uma trama como essa fomenta vão além do que se espera de uma comédia romântica à lá Nicholas Sparks. A quantidade excessiva de controle que o protagonista possui sobre o que o cerca reforça o quanto isso seria dispensável no mundo real. Isso prova como nós, naturalmente, já temos a competência para alcançar a maestria para melhorar a nossa relação com os outros, nos tornarmos versões melhores de nós mesmos e corrigirmos o nosso próprio rumo. E a partir daí, as surpresas e dificuldades no caminho deixam de ser obstáculos e fatos negligenciáveis e se tornam elementos cruciais para o amadurecimento.

Menções honrosas

  • Click (2006)

Adam Sandler faz uso de um controle remoto universal em
Adam Sandler faz uso de um controle remoto universal em "Click" - Divulgação/ND


A possibilidade de administrar todos os aspectos da vida utilizando um controle remoto universal faria os olhos de qualquer um brilharem. É o que acontece com o protagonista desse filme, estrelado por Adam Sandler, que encontra uma forma de reassistir momentos marcantes e avançar os que considera dispensáveis. As complicações começam quando o próprio controle passa a tomar decisões pelo seu dono.

  • 11.22.63 (2016)

James Franco e Sarah Gadon estrelam a série
James Franco e Sarah Gadon estrelam a série "11.22.63" - Divulgação/ND


Nesta minissérie de oito episódios, estrelada por James Franco, um professor de ensino médio descobre uma forma de voltar no tempo e tem como missão impedir o assassinato de John F. Kennedy. Adaptação do livro "Novembro de 63", de Stephen King, a série começa bem e fica ainda melhor quando o protagonista conhece o amor de sua vida enquanto visita os anos 1960. Produção primorosa, com uma conclusão emocionante e criativa.

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