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Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017
Descrição do tempo
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  • A expectativa de um inesperado reencontro com as origens

    Nesse feriado, por razões que não domino, fiquei impossibilitado de viajar, como fiz no ano passado, ao encontro das origens, do reduto natal, de gente da minha casta, de paisagens que não descolam das paredes da memória. Foi por esses dias que em outubro de 2015 topei cruzar o Estado para ir a uma despretensiosa festa de igreja, daquelas que só o interior sabe promover. Foi a oportunidade de rever pessoas estimadas e outras de parca lembrança anterior, porque seguiram rumos distintos e destinos opostos, dos pontos de vista geográfico e profissional. A lamentar que de lá para cá dois primos se foram, ambos por acidentes de carro, ambos esbanjando saúde. Fazer o quê?

    Agora, compromissos inadiáveis e dinheiro curto me impedem de repetir a aventura. No entanto, quando já pensava em planejar o retorno para 2017, eis que surge o convite para reencontrar, no começo de dezembro, o grupo que se formou junto no segundo grau, na mesma cidade, e retomar contatos, reavivar[...]

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  • As mulheres com quem queria ter cruzado numa esquina qualquer

    Enquanto ouço Elis Regina no YouTube recriando Belchior ou cantando as águas de março, ou Ingrid implorando ao pianista para repetir “As time goes by”, ou a versão de Maysa para “Ne me quitte pas”, penso em quanto teria sido feliz se me fosse dada a ventura de ter cruzado, nas esquinas da vida, com essas mulheres que tenho como deusas. Recordo da inveja que tive de um amigo que viu Elis no antológico show “Trem Azul”. Se estivesse lá, será que a Pimentinha teria ao menos olhado para a minha cara, na desordem da plateia?

    Na minha pouca modéstia, sonho em como seria um encontro acidental com essas divas, e delas extrair alguma atenção, quem sabe um abraço, por que não a suprema consideração de um beijo no rosto? Sei que amar os ídolos equivale a um salto no escuro, a um mergulho no abismo, porque na vida real eles, os ídolos, se desvanecem e tomam a forma humana, com suas imperfeições, manias, vícios, idiossincrasias. Mas sonhar não custa[...]

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  • Dizem que os catarinenses sabem votar, mas isso é falso. *Por Paulo Clóvis Schmitz

    Poucas coisas têm me incomodado tanto, de uns tempos para cá, do que dizer que nós, catarinenses, sabemos votar. Esse atributo entra no pacote de bondades com que a mídia enche de lisonjas o Estado – porque Santa Catarina não sucumbe a qualquer turbulência, é o último lugar a entrar e o primeiro a sair das crises, criou um modelo econômico exemplar, tem o trabalho como mandamento e não enfrenta a violência e as desigualdades das grandes metrópoles.

    Essa papagaiada pode fazer algum sentido, mas na questão do voto, por convicção, vou remar contra a maré. Na verdade, quando dizem que sabemos votar, os propagandistas dessa virtude duvidosa insinuam que elegemos os melhores, quando a realidade mostra o quanto nossos políticos são venais e incompetentes. Quem vem de outras regiões do país se assusta com a lentidão de nossas obras, com a irresolução de nossos administradores, com a nossa falta de iniciativa para solucionar questões básicas, elementares, por[...]

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  • Mais um capítulo da série “mentiras que incomodam”

    Na série “mentiras que incomodam” (que já teve, neste espaço, considerações sobre a ilusória crença de que nós, catarinenses, sabemos votar), tomo a liberdade de citar outra falácia que se espalha como um rastilho nestes tempos de generalizações perigosas. Trata-se da afirmação, corrente entre os que só admitem uma versão para os fatos, de que quem está indo para as ruas protesta mediante pagamento ou por conta de benesses perdidas após a consumação do golpe de agosto passado.

    Ora, é notório que havia grupos sustentados pelo governo anterior – ainda que o atual nada mais seja que a extensão do que o precedeu –, dentro de um aparelhamento que é nocivo para a sociedade. Agora, colocar todos no mesmo balaio é de um reducionismo atroz, muito ao gosto de quem busca explicações simplistas para um tema tão complexo quanto a realidade brasileira. Quer dizer que gritar “fora, Temer!” é a reação de centenas de milhares de pessoas que perderam a[...]

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