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Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2017
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  • Uma tarde perfeita para se guardar, por Katia Farret

    Nunca me senti bem em ser o centro das atenções, em estar “sob a luz dos refletores”, ainda que por breves momentos. Não sei se por timidez, insegurança ou medo de não saber o que falar, o fato é que essas situações me deixam meio sem jeito, desconfortável, envergonhada, mas não havia como recusar o convite da escola onde estuda minha neta Beatriz, já que era a Semana da Literatura e as crianças estavam a estudar crônicas.

    Aparentemente o que aconteceu foi que, entre outras, uma das minhas crônicas apareceu no telão da sala de aula da forma como é publicada, ou seja, com minha foto lá no cantinho, e Beatriz anunciou orgulhosamente que aquela da foto era a sua avó. E foi pensando na alegria dela que me obriguei a deixar a timidez de lado para aceitar o convite, sem saber que no fim, seria minha a alegria.

    Ainda meio sem saber o que fazer entrei na sala cheia de crianças, e fui recebida com uma alegria e uma expectativa surpreendentes, o que de imediato me[...]

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  • Dizem que os catarinenses sabem votar, mas isso é falso. *Por Paulo Clóvis Schmitz

    Poucas coisas têm me incomodado tanto, de uns tempos para cá, do que dizer que nós, catarinenses, sabemos votar. Esse atributo entra no pacote de bondades com que a mídia enche de lisonjas o Estado – porque Santa Catarina não sucumbe a qualquer turbulência, é o último lugar a entrar e o primeiro a sair das crises, criou um modelo econômico exemplar, tem o trabalho como mandamento e não enfrenta a violência e as desigualdades das grandes metrópoles.

    Essa papagaiada pode fazer algum sentido, mas na questão do voto, por convicção, vou remar contra a maré. Na verdade, quando dizem que sabemos votar, os propagandistas dessa virtude duvidosa insinuam que elegemos os melhores, quando a realidade mostra o quanto nossos políticos são venais e incompetentes. Quem vem de outras regiões do país se assusta com a lentidão de nossas obras, com a irresolução de nossos administradores, com a nossa falta de iniciativa para solucionar questões básicas, elementares, por[...]

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  • Rios que não saem da memória, por Paulo Clóvis Schmitz

    Em todos nós, acredito, há um rio a fustigar a memória, porque rios há em todos os lugares, dos caudalosos aos fios d’água que o desmatamento legou ao campo e às cidades, assoreando margens e profundezas. A ideia de falar sobre rios me veio depois que um ator foi transformado em celebridade ao morrer num caudal traiçoeiro como soem ser muitos caudais, dos portentosos àqueles que perderam pujança em vista da ação humana nos vales e sertões desse mundão de Deus.
    Lembro do riozinho que passava atrás da casa e do paiol de madeira da infância, que de tão modesto nem peixes abrigava. Ali perto havia um rio maior, desses que inundam lavouras e quintais quando sobrevém o temporal. Mais tarde, corria um riacho entre a casa dos pais e a escola, e ali já nadavam jundiás e lambaris que tiravam o sossego de pescadores mirins com abundância de tempo livre. Esse córrego ia dar num rio maior, com remansos que afrontavam a nossa habilidade de mergulhadores. Por sua vez,[...]

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  • O imponderável que nos espreita nas esquinas da vida

    Desastres fazem parte da vida, mas quando se abatem sobre os outros parecem menos doloridos. No dia em que um homem que sustentava meia dúzia de filhos ficou embaixo de uma tora de cedro que caiu no lado errado, amassando seu corpo contra o chão, todos lamentaram a perda, pois derrubar madeira era permitido e não se costumava levar em conta o imponderável. O tronco despencou em cima do quem nasceu para serrar, serrar sempre, ferindo a floresta porque era preciso viver, comer, vestir-se e, sendo possível, divertir-se com o vinho barato das festas do interior.

    Quando o rio subtraiu a vida de uma jovem que a ninguém importunava todos choraram a perda e tentaram entender por que a pouca correnteza arrastara um corpo tão viçoso e saudável. Mas a ninguém é permitido ignorar que a água é sempre traiçoeira, seja no rio, seja no mar, seja numa lagoa rasa. Aquele rio portentoso, imponente, parecia inofensivo aos olhos dos adolescentes que resolveram fazer ali, na sombra das[...]

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