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Mais um capítulo da série “mentiras que incomodam”

Ora, é notório que havia grupos sustentados pelo governo anterior – ainda que o atual nada mais seja que a extensão do que o precedeu –, dentro de um aparelhamento que é nocivo para a sociedade.

Paulo Clóvis Schmitz
06/10/2016 19h05

Na série “mentiras que incomodam” (que já teve, neste espaço, considerações sobre a ilusória crença de que nós, catarinenses, sabemos votar), tomo a liberdade de citar outra falácia que se espalha como um rastilho nestes tempos de generalizações perigosas. Trata-se da afirmação, corrente entre os que só admitem uma versão para os fatos, de que quem está indo para as ruas protesta mediante pagamento ou por conta de benesses perdidas após a consumação do golpe de agosto passado.

Ora, é notório que havia grupos sustentados pelo governo anterior – ainda que o atual nada mais seja que a extensão do que o precedeu –, dentro de um aparelhamento que é nocivo para a sociedade. Agora, colocar todos no mesmo balaio é de um reducionismo atroz, muito ao gosto de quem busca explicações simplistas para um tema tão complexo quanto a realidade brasileira. Quer dizer que gritar “fora, Temer!” é a reação de centenas de milhares de pessoas que perderam a mamata e não se conformam com isso?

Um deputado chamado Alberto Braga, do DEM, fez esta declaração esdrúxula e teve suas palavras replicadas à farta, inclusive por jornalistas habituados a viver sob as asas dos poderosos de plantão, para dizer o mínimo. Como ficam, diante dessa sandice, aqueles que contestam – com boas argumentações – a legitimidade do governo, ou que têm uma ideologia a guiar seus passos, ou que conhecem a história do Brasil e, portanto, sabem que rasteiras em governantes democráticos estão no DNA de nossa prática política?

O discurso é o mesmo de sempre: manifestar-se é legítimo, a contrariedade enriquece, devemos preservar a livre expressão... Mas, logo depois, vem a bordoada: defender o país é uma coisa, advogar regalias é bem diferente. A imensa maioria dos que vão para as ruas é formada por gente que rala, que paga suas contas, que honra os impostos e que já se prepara para ver o fim de programas sociais e inclusivos tão mal vistos pelos blocos de sustentação da gestão federal.

Há uma demonização da CUT, do MST, da UNE e de qualquer entidade que incomode os atuais inquilinos da corte. Quem saiu não fazia um bom governo, mas isso não justifica a atuação daqueles que respaldam, com argumentos ordinários, setores que golpeiam a democracia desde os tempos do Império.

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