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Domingo, 25 de Junho de 2017
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  • Os deputados letrados e os candidatos que não sabem ler

    A leitura de um artigo na “Folha” de domingo me instigou a refletir sobre a qualidade de nossos representantes, sufragados ou não (porque suplentes, em muitos casos), nesses tempos eleitorais. A historiadora Mary Del Priore fez uma digressão à época dos proprietários de terra que exerciam forte influência no parlamento, conduzidos pelo voto de cabresto. Eram anos sem indústrias, sem grande comércio, sem serviços – a agricultura era o carro-chefe da economia nacional. E a linguagem tendia à fala conservadora, do senhor de escravos, do latifundiário.

    Até que vieram os padres, médicos e magistrados, que azeitaram as casas legislativas, sem contudo avançar substancialmente nas ideias. Traziam o pensamento retrógrado das missas, diplomas amarelados de Coimbra e todo o arsenal do direito. A vantagem, apesar da parca vocação para transformar, era a erudição que permitiu avanços na legislação e adequou o país às necessidades da emancipação do jugo[...]

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  • As mulheres com quem queria ter cruzado numa esquina qualquer

    Enquanto ouço Elis Regina no YouTube recriando Belchior ou cantando as águas de março, ou Ingrid implorando ao pianista para repetir “As time goes by”, ou a versão de Maysa para “Ne me quitte pas”, penso em quanto teria sido feliz se me fosse dada a ventura de ter cruzado, nas esquinas da vida, com essas mulheres que tenho como deusas. Recordo da inveja que tive de um amigo que viu Elis no antológico show “Trem Azul”. Se estivesse lá, será que a Pimentinha teria ao menos olhado para a minha cara, na desordem da plateia?

    Na minha pouca modéstia, sonho em como seria um encontro acidental com essas divas, e delas extrair alguma atenção, quem sabe um abraço, por que não a suprema consideração de um beijo no rosto? Sei que amar os ídolos equivale a um salto no escuro, a um mergulho no abismo, porque na vida real eles, os ídolos, se desvanecem e tomam a forma humana, com suas imperfeições, manias, vícios, idiossincrasias. Mas sonhar não custa[...]

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  • A expectativa de um inesperado reencontro com as origens

    Nesse feriado, por razões que não domino, fiquei impossibilitado de viajar, como fiz no ano passado, ao encontro das origens, do reduto natal, de gente da minha casta, de paisagens que não descolam das paredes da memória. Foi por esses dias que em outubro de 2015 topei cruzar o Estado para ir a uma despretensiosa festa de igreja, daquelas que só o interior sabe promover. Foi a oportunidade de rever pessoas estimadas e outras de parca lembrança anterior, porque seguiram rumos distintos e destinos opostos, dos pontos de vista geográfico e profissional. A lamentar que de lá para cá dois primos se foram, ambos por acidentes de carro, ambos esbanjando saúde. Fazer o quê?

    Agora, compromissos inadiáveis e dinheiro curto me impedem de repetir a aventura. No entanto, quando já pensava em planejar o retorno para 2017, eis que surge o convite para reencontrar, no começo de dezembro, o grupo que se formou junto no segundo grau, na mesma cidade, e retomar contatos, reavivar[...]

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  • Mais um capítulo da série “mentiras que incomodam”

    Na série “mentiras que incomodam” (que já teve, neste espaço, considerações sobre a ilusória crença de que nós, catarinenses, sabemos votar), tomo a liberdade de citar outra falácia que se espalha como um rastilho nestes tempos de generalizações perigosas. Trata-se da afirmação, corrente entre os que só admitem uma versão para os fatos, de que quem está indo para as ruas protesta mediante pagamento ou por conta de benesses perdidas após a consumação do golpe de agosto passado.

    Ora, é notório que havia grupos sustentados pelo governo anterior – ainda que o atual nada mais seja que a extensão do que o precedeu –, dentro de um aparelhamento que é nocivo para a sociedade. Agora, colocar todos no mesmo balaio é de um reducionismo atroz, muito ao gosto de quem busca explicações simplistas para um tema tão complexo quanto a realidade brasileira. Quer dizer que gritar “fora, Temer!” é a reação de centenas de milhares de pessoas que perderam a[...]

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